sexta-feira, 16 de julho de 2010

ARTIGO: O descaso com cursos d'água na região noroeste de Jales e com o agronegócio frente ao novo código

" Assoreamento e má conservação do solo causam prejuízos em áreas próximas de córregos em Jales-SP"(TV-TEM)

Renan Gomes Moretti

Na última terça-feira, dia 06 de julho, na segunda edição do TEM Notícias, a questão da preservação ambiental e desenvolvimento sustentável, que é presente pelo mundo todo, novamente veio para nos alertar, e dessa vez aqui, na nossa cidade.

Uma pesquisa feita pela UNESP- Ilha Solteira, desde 2002, fez um levantamento de dados, e comprovou que os prejuízos causados pelo assoremento e pelo uso inadequado do solo aqui na região de Jales são preocupantes. Tanto que prefeituras vizinhas foram obrigadas a adotar medidas para garantir o abastecimento hídrico com construções de poços artesianos.

A pesquisa confirmou que a causa dessa falta de água é a degradação dos córregos "Coqueiro", "Três Barras" e "Boi" que, no total, abastecem seis municípios. Ao longo da pesquisa, observou-se que houve uma diminuição da vazão em torno de 20%, o que significa menos água com uma demanda crescente.

A causa desse problema, não só em Jales, é o uso e manejo inadequado do solo e da água. A região noroeste, que vem se destacando no agronegócio, não tem se preocupado muito com a preservação ambiental, pois apresenta apenas 3% de mata ciliar nos cursos de água, logo, a situação de Jales é pior, não passando dos 2%.

Mas de que forma esse desenvolvimento agrário pode ser sustentável frente a grande necessidade de produção capitalista contra a ação global dos mabientalistas? Essa é a questão do momento que merece a atenção de todos: o novo Código Florestal Brasileiro, se aprovado, diminuirá as áreas de preservação permanente (APP), reduzindo a extensão perpendicular do curso d'água, aumentando as áreas de plantio ou de pastagem.

É bem conhecida no setor rural a importância das matas ciliares, a proteção de nascentes, áreas de recarga, encostas e pelas boas práticas para proteção dos recursos hídricos e do solo. Logo, cada vez mais o mercado tem exigido menores impactos ambientais, dessa forma, o meio ambiente não deve ser considerado um empecilho para a produção, tampuco como único fator que garanta a sustentabilidade.

Além de ser um obstáculo ao desenvolvimento sustentável, social e econômico, o novo Código Florestal Brasileiro precisa ser revisado por está totalmente fora da realidade agrícola do Brasil, pois existem áreas abertas e degradadas suficiente para a expansão agrícola, não sendo necessário avançar para dentro das florestas, sem contar a dificuldade na sua operacionalização entre os órgãos de fomento e de fiscalização devido a sua complexidade interpretação e dificuldade de aplicação, pois, o relevo, o tipo de solo, a precipitação anual, manejo e cultura são diferentes no território brasileiro. O mais certo seria se cada Estado elaborasse, de acordo com a "geografia" da região, analisando a vegetação, o relevo, a economia e a sociedade, fazendo a sua própria legislação, de forma mais adequada ao local.

Erosão no muncípio de Dirce Reis.

Enfim, aqui em Jales, na região noroeste e até no Brasil, precisamos aliar o crescimento econômico, a preservação mabiental e as questões sociais para poder garantir sustentabilidade no meio rural. Essa é a meta.

Renan Gomes Moretti (Jalesense, Graduando em Geografia pela UNESP Presidente Prudente), no Jornal de Jales em 11 de julho de 2010, página 1-02, Perspectivas.

Um comentário:

  1. Uma região produtora de frutas, pricipalmente uva e citros e que necessitam de recursos hidricos para atenderem a necessidade das culturas. Entretanto, esse recurso é tratado como um uso comum e que todos os seres vivos são dependentes. Tão comum que está ficando escasso...

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