Especialistas sugerem criação de serviço metereológico mundial

01/09/2009 - 10h09

Por Stephen Leahy, da IPS

Genebra, 01/09/2009 – Mais de 2.500 especialistas e políticos de 150 países participam da Terceira Conferência Mundial sobre o Clima, que começou ontem e vai até sexta-feira, em Genebra.

Os debates se voltam para formas destinadas a melhorar as previsões meteorológicas e as projeções sazonais de longo prazo, especialmente para ajudar as nações pobres em áreas com a agricultura. “Até agora, entregamos a alguns setores informações ad hoc.

O que precisamos é um sistema formal no qual todas as pessoas possam confiar em informação vital para salvar vidas e proteger propriedades e economias”, disse Michel Jarraud, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que organiza a conferência desta semana na Suíça.
A OMM propôs criar um sistema mundial de serviços meteorológicos para promover as observações e investigações que permitam controlar o clima, bem como novas ferramentas de informação que forneçam produtos e serviços específicos por setor e região, disse Jarraud à IPS.

As duas primeiras conferências mundiais sobre o clima, em 1979 e 1990, também foram organizadas pela OMM e tiveram um papel importante na criação da secretaria climática da Organização das Nações Unidas, bem como do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC).

Este sistema de “contexto mundial” pode ajudar a reduzir as perdas causadas por eventos meteorológicos extremos, como ondas de calor, tempestades de areia, ciclones, secas e inundações, que se tornarão mais freqüentes e mais intensas na medida em que as temperaturas continuaram aumentando, explicou Jarraud. “Os eventos meteorológicos extremos e as mutantes condições climáticas afetam a todos nós, causando com freqüência desastres humanitários e enormes prejuízos”, disse o presidente suíço. Hans-Rudolf Merz.

Melhores previsões sobre chupas, mapas de riscos e sistemas de alerta são cruciais para reduzir os impactos e ajudar os que tomam decisões “em seus respectivos setores, com segurança alimentar, manejo da água, atenção com a saúde e turismo”, disse o presidente aos delegados na abertura do encontro.

Embora os habitantes dos países industrializados deem como certas as previsões meteorológicas, muitas regiões nem mesmo possuem previsões elementares para três dias.“Todo o continente africano tem menos estações meteorológicas em funcionamento do que a diminuta Suíça”, disse Walter Fust, do Fórum Humanitário Mundial, uma organização não-governamental com sede em Genebra que busca cooperação para superar graves desafios humanitários. Mais de 70% dos africanos trabalham na agricultura.

Por isto, o acesso à boa informação meteorológica é a forma mais importante de ajudar a África a enfrentar a mudança climática, disse Fust à IPS. “O clima mudou e a população local já não pode depender de seu conhecimento tradicional”, ressaltou.


Para superar este problema, o Fórum criou a associação público-privada Weather Info for América Latina (Informação Meteorológica para Todos), que usa a rede de telefonia celular no envio de mensagens de texto com informações para os agricultores. “A África tem pelo menos 60% de cobertura de telefonia móvel”, disse Fust.

Em junho foi lançado um plano para instalar cinco mil estações meteorológicas automáticas nas torres das antenas da telefonia móvel. As 19 primeiras foram destinadas à região do lago Victoria, onde a cada ano morrem cinco mil pessoas em tempestades e acidentes. “Cobrir toda a África custara apenas US$ 30 milhões”, afirmou. Do projeto participam as empresas de telefonia celular Ericsson e Zain, junto com a empresa Google. Fust tem esperanças de que seja possível reunir o dinheiro necessário para completar a rede rapidamente. “Comumente esquecemos as graves consequências humanas da mudança climática”, disse.

O presidente do Fórum e ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan disse aos delegados que é crucial reconhecer que “o clima não conhece fronteiras nacionais e precisamos trabalhar juntos para compreender suas complexidades e desafios”, enfrentar a mudança climática ou adaptar-se exige sofisticados sistemas de alerta.

Para 2020, até 250 milhões de pessoas se verão afetadas pela crescente escassez hídrica, disse aos presentes à conferência Gro Harlem Brundland, enviada especial do secretário-geral da ONU para este tema. O desafio é comunicar de modo mais eficiente a quem toma decisões informação sobre o que esperar, prosseguiu. Em referencia à 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a mudança climática, que acontecerá em dezembro em Copenhague, Brundland advertiu que “os líderes políticos devem se guiar pelo melhor conhecimento científico disponível. Devemos mobilizar a vontade política ao nível máximo para atuar com base no que a ciência nos diz. E a ciência exige que atuemos com audácia”.

Fonte:Envolverde/IPS

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