AULAS: Produção,comercialização, infra-estrutura serão temas em Armazenamento

Na próxima semana iniciaremos nossas aulas na disciplina de armazenamento e temas como segurança alimentar, infraestrutura de armazenamento e transporte, entre outros assuntos serão abordados.

Sugerimos a consulta à este blog como leitura complementar, em especial aos marcadores AULA, ARMAZENAMENTO, INFRAESTRUTURA, LOGÍSTICA e SEGURANÇA ALIMENTAR.

Nestes assuntos alguns textos publicados esta semana na Folha de São Paulo, incluindo a boa notícia dada pela ONU de que a fome global diminuiu pela primeira vez em 15 anos. Nós Engenheiros Agrônomos podemos contribuir ainda mais para erradicar a probreza.

Fome global cai pela 1ª vez em 15 anos
Relatório de agência da ONU diz que, em 2010, menos de 1 bilhão de pessoas sofre de subnutrição no mundo. Resultado é atribuído em parte à redução dos preços dos alimentos, porém meta do milênio pode não ser atingida

O número de pessoas em situação de fome no mundo caiu em 2010 pela primeira vez em 15 anos, graças em parte à redução dos preços dos alimentos. No entanto, o mundo ainda está longe de cumprir o objetivo estipulado nas Metas do Milênio.

Dados divulgados ontem pela agência da ONU para a Agricultura e a Alimentação (FAO) revelam que o número de subnutridos caiu 9,6%, para abaixo do número simbólico de 1 bilhão de pessoas, atingindo 925 milhões.

Mas a agência não comemorou. "Trata-se de um número inaceitável", disse o diretor-geral da entidade, Jacques Diouf. "A cada dez segundos, uma criança morre devido à desnutrição. A fome é a maior tragédia da humanidade, um escândalo", afirmou.

A FAO atribui parte desse resultado à queda no preço dos alimentos após o pico atingido em 2008 - o que gerou distúrbios em diversos países em desenvolvimento - e às boas colheitas de cereais e arroz neste ano. O relatório relata progressos na batalha para acabar com a fome, apesar de problemas gerados pela seca deste ano na Rússia.

Esse fato e as enchentes que devastaram plantações no Paquistão são tidos por alguns como sinal de alarme de que os problemas ocorridos há dois anos podem ser reavivados. À época, uma alta na demanda por biocombustíveis e o aumento no preço do petróleo receberam grande parte da culpa pelos problemas.

META
Por outro lado, o relatório alerta que o mundo está longe de alcançar a primeira dentre as chamadas Metas do Milênio, que prevê a redução da subnutrição em países em desenvolvimento de 20% no período 1990-1992 para 10% em 2015. Atualmente, esse índice está em 16%, em comparação aos 18% de 2009.

A agência diz que a queda no número de subnutridos reflete progressos feitos tanto pela China quanto pela Índia. Com suas enormes populações, ambos representam 40% do total de pessoas que passam fome no mundo. Na verdade, cerca de dois terços dos subnutridos se encontram em China, Índia, Bangladesh, Indonésia, Paquistão, República Democrática do Congo e Etiópia.

Mas há progressos. Armênia, Mianmar e Vietnã, na Ásia, já atingiram essa meta do milênio. Na América Latina e Caribe, Guiana, Jamaica e Nicarágua também, e o Brasil "está chegando perto", segundo o relatório da FAO.

Líderes de todo o mundo devem declarar, em reunião da ONU na próxima semana, que a série de metas estabelecidas para reduzir a pobreza e a fome em todo o mundo drasticamente até 2015 são alcançáveis, segundo um rascunho da declaração.




Brasil evita maldição das commodities
Para o Banco Mundial, país é bom exemplo de vocação agrícola que conseguiu diversificar a atividade econômica. Instituição derruba tese de que alta participação de produtos primários na economia prejudica o desenvolvimento

A "maldição das commodities" - teoria que aponta a abundância de matérias-primas como fator adverso ao crescimento econômico - é um risco para a América Latina, mas pode ser evitada. A conclusão é de estudo lançado ontem pelo Banco Mundial, em São Paulo.

A recente volatilidade nos preços das commodities e o elevado volume de exportação de itens básicos pelo Brasil têm sido apontados como algumas das razões para a apreciação cambial e o consequente aumento das importações de manufaturas.

Esse cenário gera o temor de ocorrência da doença holandesa no país -teoria que aponta a valorização da moeda local como fator inibidor à produção de produtos industrializados, devido ao aumento das importações.

No entanto, o economista principal do Banco Mundial e coautor do estudo, John Nash, aponta o Brasil como um bom exemplo de país de vocação agrícola que tem conseguido diversificar a sua atividade econômica. "Na década de 60, o café representava 53% da pauta de exportações brasileira. Em 2006, o minério de ferro era a principal commodity da cesta de exportações do Brasil e equivalia a 7% do total", afirmou Nash.

"Na Venezuela, aconteceu o oposto. Houve um processo de concentração", acrescentou. Em 1962, o petróleo respondia por 67% das vendas externas. Em 2006, esse percentual saltou para 92%.
Segundo ele, a diversificação ajuda a atenuar a influência da volatilidade das commodities -que aumentou na última década devido à maior demanda dos emergentes- no câmbio.

Por essa razão, a diversificação da atividade econômica, ainda que mais limitada ao setor primário, é apontada pelo Banco Mundial como caminho para transformar a "maldição" em "benção".

LIÇÃO DE CASA
Em "Recursos Naturais na América Latina", o Banco Mundial aponta a necessidade de formação de uma poupança de longo prazo para converter parte da renda obtida com recursos naturais em outras formas de capital.

Outra prática relevante é a formação de fundos de estabilização, para gerar uma poupança para gerações futuras e juntar recursos que possam suavizar períodos de volatilidade de preços. O modelo seria semelhante ao fundo do pré-sal que está sendo criado no Brasil. A última tarefa recomendada pelo banco para evitar a "maldição das commodities" é a garantia de instituições sólidas e independentes.

Segundo Francisco Ferreira, economista do Bird, pressões políticas e econômicas para que a renda com as commodities seja gasta rapidamente prejudicam os países latinos-americanos que se destacam na área.



ANÁLISE SOJA: AS EXPORTAÇÕES CONTINUAM FIRMES, COM A CHINA COMPRANDO CERCA DE 60% DA SOJA VENDIDA PELOS AMERICANOS
Supersafra não significa tranquilidade nos Estados Unidos

Por FERNANDO MURARO JR.

Apesar da grande safra de soja que os Estados Unidos estão começando a colher, confortável é uma palavra que não se aplica ao seu quadro de oferta e demanda nesta temporada 2010/11.

Mesmo com a perspectiva de que os estoques finais cresçam dos 4,1 milhões de toneladas do ciclo 2009/10 para 9,5 milhões de toneladas, em 2010/11 -conforme calculou o Usda (Departamento de Agricultura), dos Estados Unidos, na última sexta-feira-, a relação entre estoques e consumo ainda é apertada.

Na safra passada, com estoques finais de 4,1 milhões de toneladas e demanda total (doméstica e exportações) de recordes 91,5 milhões de toneladas, a relação estoques-consumo ficou em 4,5%, uma das mais baixas já registradas, e que equivale a apenas 16 dias de consumo.

Agora, em 2010/11, com a previsão de estoques de 9,5 milhões de toneladas e consumo de 89,6 milhões de toneladas, a relação sobe para 10,6%, ou 39 dias de consumo. Muito melhor, sem dúvida, mas não exatamente confortável -e com grandes chances de ser menor.

O primeiro fator que reforça a chance de um cenário mais apertado é o tamanho da safra dos Estados Unidos. Na sexta-feira, o Usda elevou sua previsão para 94,8 milhões de toneladas, ante 93,4 milhões de toneladas calculadas em agosto.

O número, entretanto, é controverso. Quem viu as lavouras de perto, como eu, que percorri 4.000 quilômetros no meio-oeste americano nas duas últimas semanas, sabe que há áreas com potencial produtivo muito alto, mas também está ciente dos problemas causados pelo calor e pela falta de chuva em outros pontos.

Isso sem falar na "síndrome da morte súbita", doença fúngica que atacou grande parte das lavouras do excessivamente úmido Estado de Iowa, maior produtor dos Estados Unidos.

Como, neste ano, as condições das lavouras variam muito, é quase impossível estimar produtividades médias antes de as colheitadeiras entrarem em campo.

Não se pode, de forma alguma, falar em quebra da safra americana, mas é provável que ela não seja tão grande como mostram os números oficiais.

O segundo fator é o consumo. Embora já não haja pressão da quebra de safra da Argentina em 2008/09, que aumentou a demanda pela soja norte-americana durante duas temporadas, não há sinais fortes de arrefecimento do consumo, pelo contrário.

As exportações, especialmente, continuam muito firmes, com a China comprando cerca de 60% de toda a soja vendida pelos Estados Unidos. Com base no fim do "efeito Argentina", a primeira estimativa do Usda para as exportações americanas em 2010/11, feita em maio, era de 36,7 milhões de toneladas.

Quatro meses depois, a projeção já está em 40,4 milhões de toneladas, e com tudo para ultrapassar, em breve, os 40,7 milhões de toneladas de 2009/10.

FERNANDO MURARO JÚNIOR é Engenheiro Agrônomo e Analista de Mercado da AgRural Commodities Agrícolas, na Folha de São Paulo, 14 de setembro de 2010, p.B7.

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