Escolaridade, nível de renda, assistencialismo e o futuro do Brasil
Finalizado o Primeiro Turno da Eleições, há muito o que se ponderar na hora de finalmente eleger nosso Presidente para os próximos 4 anos.
Preocupamos-nos bastante com a melhoria da educação do nosso povo, bem como a necessidade de diminuir as diferenças sócio-econômicas por meio do trabalho e não pelo assistencialismo puro, que deve sempre existir, mas acompanhado de um programa consistente de inclusão social, que valorize o cidadão e a sua dignidade material seja garantida por seus próprios méritos, o que não vem acontecendo nos últimos 8 anos.
Se é verdade que houve mais distribuição de renda por meio de programas sociais assistencialistas, mas pode-se dizer também que o país piorou, pois milhões a mais de famílias necessitaram da ajuda governamental para se manter e terem o mínimo. Depende do lado em nos encontramos e do grau de seriedade que desejamos dar aos fatos.
Vejamos o que foi publicado na Folha de São Paulo de ontem, baseado na intenção de voto para o segundo turno:
Por Escolaridade:
Fundamental: 54% Dilma x 36% Serra
Médio: 44% Dilma x 45% Serra
Superio: 35% Dilma x 50% Serra
Por Renda:
Até 2 S.M. (até R$ 1.020,00): 52% Dilma x 37% Serra
De 2 S.M. a 5 S.M.: 47% Dilma x 41% Serra
De 5 S.M. a 10 S.M.: 40% Dilma x 48% Serra
Mais que 10 S.M.: 33% Dilma x 58% Serra
Por Região:
Sudeste: 41% Dilma x 44% Serra
Sul: 43% Dilma x 48% Serra
Nordeste: 62% Dilma x 31% Serra
Norte/Centro-Oeste: 44% Dilma x 46% Serra
E se juntarmos tudo isso e colocarmos o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) em confronto com a votação, onde reunimos saúde, educação, emprego e renda, ou seja, a base para uma vida digna. Neste caso, quando menor a qualidade de vida, portanto, mas assistencialismo dado pelo Governo, mais votos para o candidato governista. Veja abaixo a análise fo Colunista da Folha de São Paulo Vinícius Torres Freire.
E a situação se repete, como se na Figura abaixo que apresenta a correlação entre beneficiários e votos na última eleição.

Então a pergunta que se faz, que país queremos? Um em base assistencialista ou um país mais justo, com melhor distribuição de renda proporcionada por oportunidades de emprego e projetos de desenvolvimento consistente, onde o assistencialismo é o complemento e não perpetuado ou tendo aumento crescente ano a ano? Qual o projeto de inclusão social de cada candidato, incluindo acesso obrigatório à educação em todo Brasil?
A preocupação também é grande quando temos um problema sério de empregabilidade, ou seja, vagas em diversos setores da economia não são preenchidas, mesmo tendo uma legião de desempregados. A causa: falta mão de obra qualificada, preparada para exercer a função. A consequência: crescimento e oportunidades no país acabam sendo limitadas.
ANÁLISE: Voto em cidades de baixo IDH é a maior vantagem da petista sobre o tucano
Por VINICIUS TORRES FREIRE
O grosso do eleitorado brasileiro parece que não se ocupou de mudar de opinião nesta primeira semana pós-parto eleitoral.
Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) receberam votos mais ou menos na mesma proporção declarada ao Datafolha pelos eleitores de Marina Silva (PV) na véspera do primeiro turno. Dilma ora bate Serra por 54% a 46% dos votos válidos.
No mais, tanto o Datafolha de hoje como o resultado do primeiro turno indicam que não há grandes novidades em relação às pesquisas da semana passada; grosso modo, a polarização socioeconômica de 2010 é semelhante à de 2006, quando Lula bateu Geraldo Alckmin (PSDB).
Dilma tem mais votos quanto mais baixo o índice de desenvolvimento humano de um município.
No caso de Serra e de Marina, ocorre o inverso. Fenômeno parecido ao de 2006, de Lula versus Alckmin - quando, porém, a polarização era mais acentuada.
Ao menos na estatística, o IDH parece explicar melhor os votos do conjunto dos eleitores de uma cidade do que PIB per capita, a economia ou o tão famoso explicador universal, o Bolsa Família.
A relação mais forte de todas, porém, se verifica entre a votação de Lula-2006 e a de Dilma-2010.
Os dados utilizados foram os do Índice de Desenvolvimento Municipal da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, de 2007, o mais recente dos "IDHs" disponíveis na praça. O índice leva em consideração saúde, educação e emprego e renda.
O contraste aparece também no Datafolha de hoje: Dilma é a preferida entre quem não estudou além do ensino fundamental e entre aqueles com renda familiar inferior a cinco salários mínimos (R$ 1.530).
Serra vence entre os de renda superior a cinco salários e no eleitorado que fez o ensino superior. Petista e tucano estão empatados com exceção do Nordeste, onde Dilma tem dois votos para cada um de Serra.
Serra e Marina tiveram votações mais parecidas em cidades maiores, em capitais e regiões metropolitanas, no Sudeste e entre o eleitorado de renda e instrução maior.
Quanto mais pobre, sem escola e interiorano o eleitorado, maior foi a vantagem de Serra sobre Marina.
Considerada a inclinação do eleitor de "IDH baixo" de votar em Dilma, em tese parece mais difícil para o tucano a tarefa de angariar votos "verdes". Serra terá de fazer caravanas pelos rincões "marineiros". De resto, está difícil de ver um coelho novo saindo da cartola ou da cachola do eleitor.
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