Aula Três - agricultura irrigada pelo mundo e reunião ABID

"Errei mais de 9.000 cestas e perdi quase 300 jogos. Em 26 diferentes finais de partidas fui encarregado de jogar a bola que venceria o jogo... e falhei. Eu tenho uma história repleta de falhas e fracassos em minha vida. E é exatamente por isso que sou um sucesso." (Michael Jordan, Brasil Post, The Huffington Post, 5/03/2014)

Explicamos com uma seca afeta diferentes regiões e a diferença entre a seca do nordeste e a do Rio Grande do Sul e também ampliamos o debate sobre as consequências da falta de água. Várias matérias ilustram a situação. Compilamos notícias de 2014 sobre a falta da chuva eas suas consequências e o Jornal Nacional ilustra tudo na reportagem "Seca no Piauí provoca aumento no número de retirantes - Nos últimos cinco anos, mais de 140 mil pessoas deixaram o estado em busca de trabalho e melhores condições de vida." E também falamos sobre o tema no [Pod Irrigar] de 08/08/2013. Combinação melhor não poderia existir para o aprendizado consistente! Mostramos que um dos grandes desafios é conviver com extremos, ou seja, seca e chuva excessiva, e muito ainda temos que fazer, tanto nas pesquisa, como na comunicação e ensino de como trabalhar sobre esta condições. Sobre o tema escrevemos o artigo "Tão quente, tão úmido, tão seco: construindo a resiliência dos agro-sistemas" e ainda uma equipe da NASA foi para o Estado de Iowa para estudar as chuvas e inundações no centro-oeste americano e voltaram com uma grande quantidade de dados que eles usam para melhorar a forma como eles medir a precipitação a partir do espaço e como eles usam esses dados para prever enchentes. Mas a agricultura irrigada muda vidas no nordeste com geração de emprego e renda, veja como! E sobre a divulgação de temas técnicos ligados ao meio rural, não deixe de conferir o artigo "A Comunicação adequada". 
As aulas também versaram sobre a legislação dos recursos hídricos (Lei 9.433 de 8/01/1997 - Lei das Águas e a Lei 12.787 de 11 de janeiro de 2013 - Política Nacional de Irrigação que destacamos em artigos publicados na imprensa e também no Pod Irrigar), com seus princípios, objetivos e instrumentos. Introduzimos os conceitos de bacia hidrográfica delimitada pelo divisor de águas e tendo o talvegue como canal de escoamento ladeado pela APP e a importância da reserva legal e de ações que promovam a infiltração da água e o escoamento de base em detrimento do escoamento superficial, que vai causar erosão e assoreamento e ainda afetar a qualidade e a disponibilidade de água, especialmente elevando a concentração de ferro, principal problema para a irrigação localizada. A questão ambiental às vezes se torna um entrave e agentes públicos tem ainda que conversar para viabilizar uma agenda de consenso na regularização ambiental.
As propriedades físico-hídricas dos solos foram discutidas quando o conceito de balanço hídrico foi introduzido e assim os efeitos da granulometria do solo (textura) sobre a CAD, Capacidade de Campo, Ponto de Murchamento Permanente, Saturação, evapotranspiração de referência, potencial e atual foram exemplificados. Para relembrar conceitos e as propriedades físico-hídricas dos solos e exercícios consulte PREVEDELLO, C.L. (1996), REICHARDT, K. (1987) e REICHARDT, K. e TIMM, L.C. (2004). E o resultado do balanço hídrico que caracteriza numericamente uma seca foi exemplificado com situações e ações no nordeste e no Rio Grande do Sul, incluindo o bom exemplo da agricultura irrigada e seus resultados. O Professor Paulo Cesar Sentelhas da ESALQ-USP desenvolveu uma série de planilhas interessantes para se fazer o balanço hídrico. Ou se preferir faça o download no canal da AHI! Mas conheça também o Banco de Dados Climáticos do Brasil - EMBRAPA! Sobre evapotranspiração, a Yane fez um didática postagem. Confira!
Numa abordagem mais ampla, discutimos se “O clima define o rumo de um país?” ou ainda a posição de FEMIA e WERRELL (The Center for Climate e Security) em que “Tensões sobre terra, água e alimentos provam que levantes democráticos não têm só raiz política, mas também ambiental” e ainda as questões e previsões divulgadas pelo IPCC. O problema de compatibilizar seca e chuva, muitas vezes na mesma região encabeça a argumentação do "Por que Irrigar?" que tem sequência com a discussão de dados de evapotranspiração e chuva no noroeste paulista, onde vivemos, sugestões de leitura são reforçadas: Importância da irrigação no desenvolvimento do Agronegócio e Agricultura irrigada. Detalhamos estas questões sobre os efeitos de um clima adverso na postagem relativa à Aula Dois, com os atuais trabalhos publicados sobre condições extremas. O tema é amplo e controverso, mas sobre mudanças climáticas alguns autores de destaque são Richards (1993), Karl et al. (1999), Manton et al. (2001), Alexander et al. (2006), Vincent et al. (2005), Dufek and Ambrizzi (2006), Wang et al. (2004), Kharin and Zwiers (2005), Hayes et al. (2011), IPCC (2007) e mais recentemente indícios de alteração do clima global foram descritos por DURACK (2012) para quem “mudança climática acelera ciclo da chuva e velocidade da evaporação e precipitação pode ficar até 24% maior até o fim deste século”. Baseado na alteração da salinidade dos mares nesses últimos 50 anos (processo se acentuou a partir de 2000) afirma que “os ricos ficam mais ricos”. Ou seja, terras secas receberão menos chuvas, enquanto que regiões úmidas ganham tempestades cada vez mais intensas. No Brasil DUFEK e AMBRIZZI (2007) detectaram aumento no número de dias secos consecutivos e utilizando séries do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE, 1950-1999) dizem que essa alteração nos padrões climáticos começou a partir de 1985. BLAIN (2011, 2012) descreve um atraso na retomada da estação chuvosa em diferentes localidades do Estado de São Paulo e o início desse atraso ocorreu a partir de 1983/84. A AHI fez análises superficiais com os dados que dispomos e não chegamos a conclusão se se trata de fenômeno cíclico ou uma real alteração no regime de chuvas, mas como compatibilizar seca e chuva intensas é um dos grandes desafios atuais. Mas é fato que o monitoramento climático é necessário e deve ser ampliado para todas as regiões. Especificamente para a agropecuária a melhor forma de conviver com a falta das chuvas é investir em sistemas de irrigação que farão a oferta da água no momento certo e quantidade adequada para garantir as elevadas e necessárias produtividades e que farão com que o lucro seja a força motriz do desenvolvimento sócio-econômico de toda uma região, através dos efeitos multiplicadores da agricultura irrigada. Mas o importante não é somente adquirir equipamentos de irrigação e sim planejar esta aquisição levando em consideração todos os aspectos locais de solo, clima, disponibilidade e qualidade da água e ainda das culturas que se pretende cultivar. A consulta à um profissional experiente também é fundamental para que o investimento seja efetivo.


Usaremos intensamente nossos canais de comunicação baseados na Internet, mas de forma complementar, pois os livros textos são essenciais. O Manual de Irrigação é o mais tradicional e servirá ao longo de todo o curso, fiquem atentos apenas nas representações que utilizamos, que muitas diferem dos autores acima, mas tem o mesmo significado. Uma lista com artigos interessantes para ser lidos foi disponibilizada na postagem da semana passada. Leiam sem moderação! No canal TEXTOS TÉCNICOS do Canal da Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira estão disponíveis a maior parte dos artigos técnicos e os assinados sobre estes temas desenvolvidos pela AHI

Água Disponível no Solo brasileiro
Nas imagens temos três conceitos inseridos e que todos os profissionais da agricultura devem conhecer: Por que Irrigar, Onde Irrigar e Armazenamento de Água no Solo, ou o balanço hídrico. Comecemos pelo terceiro conceito. No mapa, em vermelho representa o déficit de água no solo. Em um perfil de solo, a quantidade de água ideal de armazenamento é aquela representada pela diferença entre a umidade na capacidade de campo e a no ponto de murchamento permanente, multiplicada pela profundidade efetiva do sistema radicular. À isso chamamos de CAD - Capacidade de Água Disponível. A AD - Água Disponível no Solo (capacidade hídrica do solo, como na figura) é a diferença entre a umidade atual e a umidade no ponto de murchamento permanente, multiplicada pela profundidade efetiva do sistema radicular. Podemos exprimir esta relação em milímetros, mas também em porcentagem e para tanto a AD (%) = (AD/CAD) x 100. É o que se visualiza no gráfico abaixo, com grande parte do solo brasileiro "pedindo" água da chuva ou da irrigação. Os valores da umidade na capacidade de campo e ponto de murchamento permanente são obtidos na curva de retenção de água no solo e variam de acordo com a textura (granulometria) e compactação do solo (densidade aparente).

Fonte: http://forumirrigacao.blogspot.com.br/p/blog-page_31.html


ITEM - Irrigação e Tecnologia Moderna 
A edição número 99 da revista ITEM - Irrigação e Tecnologia Moderna já está circulando e a Biblioteca da UNESP Ilha Solteira já conta um exemplar. Nela um detalhado trabalho do que aconteceu no XXIII CONIRD em Luís Eduardo Magalhães e muito sobre os benefícios da reservação da água para mitigar os efeitos do excesso e a falta de água. Também foi publicado uma artigo de nossa autoria. "O perverso risco agrícola" fala da necessidade de planejamento e da comunicação de todos que labutam na área de recursos hídricos e usa para ilustrar a matéria exemplos da região noroeste paulista.



Reservação de água - ABID
Em 14 de março de 2014, o Conselho Diretor da ABID - Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem se reuniu em Uberaba. Na pauta três importantes temas: o fortalecimento desta histórica e estratégica Associação, os preparativos para o XXIV CONIRD que acontecerá entre 7 a 12 de setembro de 2014 no COOPA-DF, em Brasília e ainda formas e ações para que conviver ou criar as resiliências entre os excessos e as faltas d'água.


O deputado federal Paulo Piau, prefeito de Uberaba e também membro do Conselho Diretor da ABID, anfitrião desta reunião, tem vivido esta situação na pele. Se por um lado as chuvas intensas cada vez mais frequentes, causam transtornos e prejuízos, a falta de água, representada pela ausência de chuvas ou ainda pela baixa vazão dos mananciais preocupa, os tanto os produtores, como os administradores públicos registram queda das suas receitas pela queda da produtividade das diferentes culturas. Uberaba tem manancial que abastece tanto os equipamentos de irrigação, que tem que dividir a água com a população e medidas emergenciais tem sido adotadas por lá para garantir o uso prioritário para servir água à população. Por aqui, após 2004, em 2014 se repetiu a situação crítica em Santa Fé do Sul, que dependente de duas represas com um espelho de água de 18 hectares, viu sua água ir embora após um verão de chuvas abaixo da média histórica.


Reservar água parece ser uma grande opção, porém muitos ainda não percebem a importância dos investimentos na reservação das águas, seja pela represas ou mesmo pela conservação do solo, essencial, em todas as suas formas. O papel dos poderes municipais é cada vez maior para que haja esse equilíbrio e o bom desenvolvimento da agricultura irrigada, especialmente porque ainda há muita resistência dos agentes fiscalizadores, que muitas vezes impõem dificuldades para o licenciamento de represas, não entendendo a importância de manter a água na bacia hidrográfica, como fator de mitigação dos excessos e falta de água. Goiás fez uma ótima opção para a concessão das Outorgas: quer água? Então faça a sua represa! E avança na área irriga e colhe os benefícios de seus efeitos multiplicadores.


Depois de 17 anos sendo discutida no Congresso, estamos diante os trabalhos de regulamentações da Lei 12.787/2013, que institui a Política Nacional de Irrigação, oportunidade para a tomada de decisões relativas à conservação de solo e água, principalmente para o fomento de construções de pequenas e médias barragens. Por fim, chuvas intensas e outras questões envolvidas na sua mitigação devem receber a atenção tanto da ABID, como da comunidade científica e de governantes em diferentes níveis de gestão e da iniciativa privada. Esse foi o tema que desenvolvemos esta semana no Pod Irrigar - o Pod Cast da Agricultura Irrigada. Ouça também as dicas anteriores.


Recursos hídricos e infra estrutura


Agricultura irrigada - Desenvolvimento econômico



Empreendedorismo - Carreira


Entretenimento
Imprensa Falsa é um sitio interessante para quem está com tempo e afim de se divertir com estórias. Em um ótimo exercício de jornalismo às avessas, que assim se define: "O Imprensa Falsa é um pasquim de notícias que não se confirmam, da autoria de Zé Pedro Silva."

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