Agricultura irrigada e recursos hídricos em foco


Pod Irrigar - Sem chuvas e sem conservação do solo, oferta de água afeta a todos
Gostaria de mudar de assunto, mas é impossível ao menos para este profissional da área de recursos hídricos e irrigação. Para gravar a edição desta semana do Pod Irrigar interrompi as visitas que estava fazendo em nascentes e córregos posicionados na margem esquerda do Rio Paraná. Semana passada estive visitando a margem direita do Rio Tietê. O cenário desolador é semelhante ao constatado na semana passada.

 Represa 1 de captação e armazenamento de água para o abastecimento da população de Santa Fé do Sul em 3 de julho de 2014.

 Represa 2 de captação e armazenamento de água para o abastecimento da população de Santa Fé do Sul em 3 de julho de 2014.

 Ribeirão Santana da Ponte Pensa no encontro com o rio Paraná, em sua margem esquerda em 3 de julho de 2014.

  Ribeirão Santana da Ponte Pensa no encontro com o rio Paraná, em sua margem esquerda em 3 de julho de 2014.
Afluente da margem esquerda do rio Paraná em 3 de julho de 2014.

 Afluente da margem esquerda do rio Paraná em 3 de julho de 2014.

Afluente da margem esquerda do rio Paraná em 3 de julho de 2014.

Sobre as chuvas, seja no momento em que ela vai chegar, ou ainda na sua intensidade e volume não temos controle. Mas o mesmo homem que desmatou, que cultivou e cultiva sem técnicas conservacionistas, que impermeabilizou o solo e propiciou as condições para a ocorrência de erosões, de voçorocas, de assoreamento e da infestação de macrófitas em grande proporção nos dos córregos e rios, terá que arcar com as decisões e ônus financeiro de restaurar, reabilitar ou recuperar nossas fontes de água, conforme a importância e o interesse específico de cada área. 

 Typha sp tomando todo o leito do córrego, antes estreito e profundo, hoje, raso e espraiado. Em 3 de julho de 2014.

 Situação das pastagens na região de Santa Fé do Sul e Rubinéia em 3 de julho de 2014.

Situação das pastagens na região de Santa Fé do Sul e Rubinéia em 3 de julho de 2014.

 Situação das pastagens na região de Santa Fé do Sul e Rubinéia em 3 de julho de 2014.

 Situação das pastagens na região de Santa Fé do Sul e Rubinéia em 3 de julho de 2014.

 Situação das pastagens na região de Santa Fé do Sul e Rubinéia em 3 de julho de 2014.

No campo em 3 de julho de 2014 o que se viu no noroeste paulista são pastagens secas, muitas delas classificadas como degradadas, nascentes secando ou com vazão mínima e conta-se nos dedos quantas estão protegidas, ou seja, livres de erosão no seu entorno e com mata ciliar envolvente, ausência de matas ciliares na APP e a presença exagerada de macrófitas-problema, como por exemplo a Typha sp, popularmente conhecida por tabôa, sinais claros de degradação ambiental e perda de água para a atmosfera sem uma função produtiva ou de proteção ambiental da zona ripária, como o que se teria com a presença de matas ciliares bem formadas.
 Macrófitas infestando um dos açudes na bacia hidrográfica que fornece água para a cidade de Santa Fé do Sul. Em 3 de julho de 2014.

 Typha sp, popularmente conhecida por tabôa que infesta uma parcela significativa dos mananciais do noroeste paulista, sendo ela uma espécie que faz uma evapotranspiração muito elevada. Em 3 de julho de 2014.

Qualquer ação para a recuperação ambiental não trará resultados imediatos, mas imediato deve ser o início de ações que levem a reter a água na bacia hidrográfica, com a maior parte da água da chuva infiltrando no solo e recarregando o lençol freático, ao invés de simplesmente escorrer sobre o solo.
As ações não são fáceis, envolvem conscientização, quebra de paradigmas como o da intervenção em APP, incluindo a construção de barramentos e todas as demais formas de proteção do solo e da água. Este foi o tema do Pod Irrigar - o Pod Cast da Agricultura Irrigada desta semana. Ouça também os anteriores.

Sensoriamento remoto, avaliação do consumo da água em larga escala e Landsat
O Documentos 99 da EMBRAPA "Modelagem espaçotemporal dos componentes dos balanços de energia e de água no Semiárido brasileiro" traz a aplicação do modelo SAFER - Simple Algorithm for Evapotranspiration Retrieving, baseado na modelagem da razão ET/ETo, validado para culturas irrigadas e vegetação natural nas condições semiáridas brasileiras e aplicação na região noroeste paulista.

Recursos hídricos, escassez de água, seca e o racionamento
Em 30/06/2014 a baixa oferta de água dos mananciais e reservatórios no noroeste paulista ganho destaque no Globo Rural com a matéria "Estiagem afeta o nível dos reservatórios do país". O desempenho dos sistemas de irrigação é afetada pela mudança do ponto da captação de água pela moto-bomba e destacamos esta situação no artigo "Oferta de água deixa irrigantes em situação crítica no noroeste paulista".

Em 02/07/2014 foi a vez da TV Tem destacar que agricultura irrigada e piscicultura têm quedas na produtividade por causa da estiagem e também nesta reportagem houve a participação da Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira.
O programa que Geraldo Alckmin (PSDB) entregará à Justiça Eleitoral para registrar sua candidatura à reeleição no governo paulista abordará a necessidade de reforçar a segurança hídrica do Estado e agilizar obras para isso. Um exemplo dado pelo texto é em relação à PPP do Sistema São Lourenço, que pretende até 2018 ampliar o fornecimento de água à Grande São Paulo. Em 2014, a região vive a maior crise hídrica dos últimos 80 anos. A redução no nível de água nos reservatórios obrigou o governo a adotar medidas emergenciais para evitar racionamento e a situação é crítica em todo o Estado de São Paulo e também em outras regiões do pais e sim, deve fazer parte das agendas dos políticos em todos os níveis, começando pelo âmbito municipal. Pouca atenção pública é dada a questão hídrica especialmente a ligada à conservação do solo e água. A Folha preparou um álbum de fotos sobre a seca no Alto Tietê, mas também montamos um álbum de fotos que retrata a situação crítica pela qual passa nos mananciais do noroeste paulista. Preparamos também uma cronologia dos fatos, com o clipping de parte do que foi publicado na imprensa.

Depoimento do Engenheiro Paulo Sérgio Jesus Silva: "Tenho presenciado cidadãos afirmarem (e sabemos que muitos pensam assim, até mesmo colegas engenheiros) que não estão muito preocupados porque o abastecimento de água de sua cidade é feito através de captação subterrânea. Pois deviam se preocupar! As águas subterrâneas vem de onde? Os volumes dos aquíferos subterrâneos não se originam da porção da precipitação que se infiltra e percola até eles? Nos últimos testes de bombeamento que realizei, principalmente para renovação de outorgas, pude comparar os resultados atuais com os dos testes anteriores. No caso do Aquífero Bauru, os níveis estáticos (nível da água na coluna do poço, em repouso há pelo menos 12 horas) que nos dão uma medida bem próxima ao nível real do aquífero, estão muito abaixo das leituras anteriores. Em alguns poços a diferença chega a 4,00 ou 5,00 metros. Assustador! Óbvio que a escassez de chuvas é responsável por essa situação, pois não só as zonas de recarga não estão recebendo águas, mas também o consumo de águas subterrâneas acaba aumentando na seca. Há uma tendência de produtores rurais e empresas recorrerem a poços tubulares para captação subterrânea em época de seca, a maioria em situação irregular, o que só piora as coisas, devido ao risco de contaminação dos aquíferos."

Estiagem prejudica produção de café e cidades do interior de SP "importam" água para evitar desabastecimento e rio Pardo chega a 50 cm de profundidade. Alguns extremos começam a surgir e o racionamento de água em Itu faz moradora guardar água em 149 garrafas PET. Economia começou oficialmente em fevereiro, mas população cita problemas desde setembro. Empresa que cuida do abastecimento diz que 30% da cidade recebe apenas seis horas de água a cada dois dias. Com seca, cidade submersa ressurge em Mogi das Cruzes e construções foram alagadas há mais de duas décadas para dar lugar a represa co  o reservatório que faz parte do sistema Alto Tietê, cujo volume diminuiu de 46% em janeiro para 25% neste mês. Por aqui no noroeste paulista, as ruínas da antiga Rubineia são cada dia mais expostas.


 Porto de Pereira Barreto sem condições de operar pela falta de água. É a primeira vez que isso acontece desde o enchimento da barragem da Usina de Três Irmão. Foto: Noroeste Rural

O início de 2014 foi marcado pela falta de chuva, temperaturas máximas recordes, baixo nível dos reservatórios de água, seca, queda de produtividade, falta de água nas cidades para abastecimento humano, industrial e dos sistemas de irrigação e consumo recorde de energia. Planejar a microbacia - a menor unidade de gestão - é fundamental para que tenhamos mais escoamento de base ao invés do de superfície, que causa erosão, assoreamento e não retém a água na bacia onde a chuva caiu. Com um planejamento adequado, que inclui conservação do solo e manejo da irrigação poderíamos ter mitigado os problemas atuais causados pela falta da chuva este ano. Diminuir a diferença entre a máxima e a mínima é o grande desafios de administradores/gestores sejam públicos ou privados. Fizemos duas cronologias da falta de água - em fevereiro e em julho de 2014 e as suas consequência através da compilação do que a imprensa destacou. O intuito é lembrar a todos que a gestão hídrica afeta a todos e deve ser cada vez mais técnica e profissionalizada.

Enquanto isso, para nós da Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira esta situação impõe mais trabalho, alguns fora da rotina estabelecida em nosso planejamento. Estamos nos preparando para medir a vazão de alguns mananciais degradados, tomados por Typha sp, e queremos saber qual é o consumo de água desta espécie na forma de evapotranspiração. Esta água não está sendo usada para um função econômica, alimentando somente o ciclo hidrológico e que poderia ser feito por outra espécie. Assim, estamos construindo novos vertedores para a medição das vazões.

 Vertedor triangular sendo construído.

Supervisionando a construção do vertedor triangular que será usado para a medição da vazão em microbacias hidrográficas.

Agronegócios e agricultura irrigada

Na Bahia, agricultores conseguem bons resultados com a fruticultura irrigada e a produção cresceu mais de 100% em um período de um ano. Irrigação é o segredo do sucesso na produção de frutas. E por aqui no noroeste paulista, com irrigação também se tem a produção, como o feijão abaixo cultivado sob pivô central.


Economia
A grande maioria dos jovens com até 30 anos não tem ideia do que é inflação alata e o seu perverso efeito sobre principalmente a população de baixa renda. Lançado em 01 de julho de 1994, o Plano Real completa seu aniversário de 20 anos. O aumento de renda, a redução do desemprego e a queda de inflação que marcaram o Plano Real e para discuti-lo e analisar a situação econômica atual  e as ações do Governo Federal para manter a economia estável, o Canal Rural reuniu Miguel Daoud, Gustavo Loyola e Raul VelosoAssista e saiba mais sobre este fundamental plano de estabilização econômico que foi exibido em 05/07/2014.  Samuel Pessôa em seu artigo "Os 20 anos do real" afirma que o programa permitiu diversas conquistas, mas o combate a juros altos depende de aumento da taxa de poupança



Carreira e negócios


Saiba quais são as melhores empresas para você trabalhar, as melhores empresas para começar a carreira e ainda em video como ser a pessoa que todo mundo adoraria contratar. Quais são as características que tornam o nível de empregabilidade mais elevado para uns e inferior para outros? Em mais um dos vídeos de carreira, Fernando Mantovani, managing director da Robert Half Brasil, revela o que pode tornar você o tipo de profissional que é disputado no mercado de trabalho.

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