Pod Irrigar: chuvas forma ótimas para a agricultura, mas precisamos de mais

Uma pergunta recorrente após as chuvas que em média foram de 81 milímetros no noroeste paulista foi porque mesmo com este volume o nível dos lagos das hidrelétricas nos rios Paraná, Tietê e Grande continuou a cair, aumentando ainda mais a preocupação ou desespero dos irrigantes, que ficam sem água para captar pelos seus sistemas de irrigação.
Para entender esta situação vamos entender a diferença entre volume de chuva, intensidade da chuva, velocidade de infiltração de água no solo, bacia hidrográfica e escoamento superficial e de base.
Volume quer dizer a quantidade total de água que caiu sobre uma região. Por exemplo, se choveu 81 mm, isto significa que por um período caiu sobre uma área de um metro quadrado 81 litros de água ou, 810 metros cúbicos por hectare.
Em quanto tempo esta água caiu sobre a superfície de um terreno? Nesta caso estamos falando de intensidade das chuvas, e estas foram ótimas para recompor a umidade do solo, que funcionou como uma esponja, pois estávamos a 60 dias sem chuvas e com isso o solo estava seco e ainda choveu os 81 milímetros entre a noite do dia 23 e a manhã do dia 27, ou seja, a chuva em nenhum momento passou de uma intensidade de 20mm/hora.
Cada solo tem uma velocidade de infiltração de água diferente, que depende da sua composição granulométrica, quanto mais areia, maior a sua velocidade de infiltração e assim, toda a água que caiu sobre o noroeste paulista se infiltrou no solo, não havendo escoamento ou escorrimento superficial, que faria com que a água da chuva chegasse aos reservatórios. E que vamos ter é o escoamento de base, aquele escoamento lento e desejado proporcionado pelas nascentes e que garantirá a vazão dos mananciais mesmo na estação seca.
Por fim, para estancar o rebaixamento do nível dos reservatórios deveríamos ter também chuva nas cabeceiras dos reservatórios - Goiás e Minas Gerais na Usina de Ilha Solteira e em todo o Estado de São Paulo na Usina de Três Irmãos e ainda diminuir o ritmo de geração de energia que em Ilha Solteira tem consumido em média mais de 2100 m3/s.
Ao contrário da última crise de água, o chamado apagão de 2001, também ocorrido pela falta de chuvas, este ano a ONS não está preservando o reservatório de Ilha Solteira e optou por continuar a gerar energia e assim, por aqui, quem sentiu diretamente o efeito da crise foram os irrigantes e os profissional envolvidos com a navegação que também foi paralisada, levando inclusive desemprego à estes setores.

* Para conhecer os números, ontem, as seis da manhã a Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira estava gerando energia a partir de uma vazão turbinada de 3.061 m3/s, o nível de água no rio Paraná estava em 321,46 metros a montante da Usina e representava -26,97% do lago, enquanto que o rio Tietê estava com um nível de 322,07 metros (-16,36% do lago) e abastecia o rio Paraná através do Canal de Pereira Barreto com 241 m³/s à uma velocidade de 0,94 m/s.

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