Encerramos mais uma participação internacional

Grande parceiros nos trabalhos que combinam sensoriamento remoto com variáveis obtidas em estações agrometeorológicas em terra para a estimativa do consumo e produtividade da água: Heriberto Teixeira (Embrapa) e Christopher Neale (Utah State University e Water For Food Institute) em setembro em Amsterdam no SPIE Remote Sensing 2014.

Pod Irrigar - Sensoriamento remoto como ferramenta de planejamento e gestão dos recursos hídricos
Em Amsterdam, na Holanda, participamos com apresentação de trabalhos das conferências SPIE Remote Sensing, onde pesquisadores do mundo inteiro se reúnem para trocar experiências e apresentar os seus resultados de pesquisa tendo o sensoriamento remoto como ferramenta de trabalho.



Confesso que não foi fácil e ainda não o é assimilar todas estas técnicas! Realmente entre o sol e a terra, há muita física e a sua compreensão é a base para um trabalho consistente. Nossa participação aqui no SPIE permite observar e comprovar que os profissionais que se formam hoje não podem abrir mão de conhecer e utilizar o geoprocessamento em seus trabalhos. As possibilidades são múltiplas e em diferentes níveis.
No SPIE Remote Sensing 2014 ficamos com a sensação de missão cumprida, pois no momento em que vivenciamos a maior crise pela água em diferentes regiões brasileiras, nossos trabalhos que combinam o uso de imagens do satélite Landsat com os dados obtidos em estações agrometeorológicas em terra para avaliar a mudança do uso da terra, o consumo de água pelas plantas e quanto de alimentos conseguimos produzir com ela - o que chamamos de produtividade da água - teve boa repercussão e coloca o nosso grupo de trabalho na UNESP em sintonia com o que se faz internacionalmente.
Mas não estamos sós, nossa parceria com a EMBRAPA e a Utah State University mostrou-se acertada e tem sido uma grande satisfação trabalhar com os Pesquisadores Heriberto Teixeira, Christopher Neale e mais recentemente, com Janice Leivas, além dos nossos estudantes na UNESP que recebem uma formação atual e de grandes possibilidades técnicas no planejamento e uso dos recursos hídricos.


Acima e abaixo o Dr. Heriberto Teixeira, autor do modelo SAFER apresenta trabalho sobre produtividade da água em larga escala sendo observado pelo Coordenador da sessão Antonino Maltese.




Mais sobre a viagem a Holanda
No trabalho "Water productivity of diferent land uses in watersheds assessed from satellite imagery Landsat 5 Thematic Mapper" (Renato M. Franco, Fernando B. T. Hernandez e Antonio H. C. Teixeira, Embrapa Monitoramento) utilizamos o algoritmo SAFER (Simple Algorithm For Evapotranspiration Retrieving) e a equação de Penman-Monteith e assim determinamos a variação espacial e temporal da produtividade da água entre 1996 e 2010, havendo com a implantação dos sistemas de irrigação um incremento na taxa de evapotranspiração em 153%. A máxima produtividade da água ficou em 3 kg/m3 nas bacias hidrográficas, enquanto que nas áreas irrigadas chegou a 6,7 kg/m3 e os resultados comprovam mais uma vez que é extremamente temerário a produção de alimentos no noroeste paulista sem o uso de sistemas de irrigação, devido às elevadas taxas de evapotranspiração e o déficit hídrico correspondente.

Outros trabalhos em que estivemos envolvidos ou apresentados por nossos parceiros foram:
"Energy balance with LandSat images in irrigated central pivots with corn crop in the São Paulo State, Brazil" (Antonio H. C. Teixeira, Fernando B. T. Hernandez, Ricardo G. Andrade e Janice F. Leivas), "Coupling MODIS images and agrometeorological data for agricultural water productivity analyses in the Mato Grosso State, Brazil" (Antonio H. C. Teixeira, Daniel C. Victoria, Ricardo G. Andrade, Janice F. Leivas, Edson L. Bolfe), "Evapotranspiration in pastures with different indicators of degradation in the watershed of Alto Tocantins in Brazilian savanna" (Ricardo G. Andrade, Antonio H. C. Teixeira, Janice F. Leivas, Daniel C. Victoria, Edson E. Sano e Sandra F. Nogueira) e "Biophysical parameters in wheat producer region in southern Brazil" (Janice F. Leivas, Antonio H. C. Teixeira, Ricardo G. Andrade, Daniel Victoria e Edson L. Bolfe). 

Na companhia de Christopher Neale visitamos a UNESCO - IHE (Institute for Water Education) em Delft onde fomos recebidos por Stefan Uhlenbrook (Vice-Reitor), László Hayde e Wim Bastiaanssen.


 Stefan Uhlenbrook apresentando as linhas de trabalho em Mestrado e Doutorado na UNESP - IHE.

Christopher Neale fez a conferência "The Grand Challenge of Water for Food: Perspective for Irrigated Agriculture" onde destacou a importância da irrigação para a produção de alimentos em todo o mundo.



Próximo evento
Nossa próxima participação em eventos será a palestra "Viabilidade econômica da fertirrigação" e acontecerá em 9 de outubro de 2014 às 14:00 horas, na ESALQ-USP.


Fertirrigação é a técnica em são aplicados fertilizantes junto com a água de irrigação e assim temos economia de mão-de-obra e energia, diminuição da compactação do solo, o aumento da eficiência do uso e economia de fertilizante com controle da profundidade e flexibilidade de aplicação, além de facilitar a aplicação de micronutrientes e a possibilitar uma melhor utilização dos equipamentos de irrigação, e naturalmente, com mais lucros ao irrigante.
Com tantas vantagens reconhecidas, no entanto, a fertirrigação ainda não é praticada em larga escala pelos irrigantes e talvez, entre as razões esteja o desconhecimento de como praticá-la, assim como, o fato de que, mesmo financeiramente comprovado, há a necessidade de investimentos adicionais na aquisição no sistema de injeção de fertilizantes e da estrutura de diluição da calda.
Mas, quando se pensa em praticá-la, é preciso primeiro definir o alvo: se é a planta ou o solo para definir a lâmina que acompanhará a injeção do produto desejado. Depois deve-se contar com um sistema de irrigação com boa uniformidade de aplicação, ou seja, é desejável que o CUC seja superior a 80%, e a avaliação em campo do desempenho do sistema de irrigação é necessária.
A escolha do sistema de injeção, que pode ser desde simples venturis até bombas injetoras deve ser feita considerando se o sistema de irrigação é estacionário ou móvel e o mais comum é aplicarmos via irrigação o nitrogênio, o potássio e micronutrientes, que podem ser na forma de adubos sólidos ou fluidos, mas devem ter preferencialmente alta solubilidade, de forma rápida e completa, ter baixa capacidade corrosiva, ter compatibilidade quando aplicados misturados e ainda o melhor preço por quilo do nutriente.
A fertirrigação, que é a aplicação de fertilizantes junto com a água para a irrigação deveria ser uma prática obrigatória em sistemas de irrigação, especialmente as sistemas localizados e o pivô central, mas uniformidade de aplicação é um item obrigatório e depende de um bom projeto de irrigação, ou seja, tudo começa com o irrigante tendo a cautela de implantar um sistema de irrigação que ofereça uma variação de vazão ou de precipitação menor que 10%, que deve suprir as necessidades da evapotranspiração das plantas, ser composto por bons materiais e ainda ter sido adequadamente montado.
Assim feito, o irrigante está pronto para tirar o máximo proveito do investimento feito no seu sistema de irrigação, representado pelo manejo da irrigação e pela fertirrigação, ou ainda, pela quimigação, onde outros produtos podem ser aplicados junto com a irrigação.
Sobre o tema fertirrigação, concedemos uma entrevista ao Portal Dia de Campo que está disponível integralmente na página do Portal, baseada no artigo de autoria de KANEKO, F.H.; HERNANDEZ, F.B.T.; SHIMADA, M.M.; FERREIRA, J.P. com o titulo de "Estudo de caso - Análise econômica da fertirrigação e adubação tratorizada em pivôs centrais considerando a cultura do milho". Agrarian, Dourados, v.5, n.161, p.161-165, 2012, disponível a partir de: http://www.periodicos.ufgd.edu.br/index.php/agrarian/article/view/1528/1034. Trata-se de trabalho simples, mas com ótimo poder de convencimento aos irrigantes que não desejam fazer investimentos no sistema de injeção de fertilizantes e químicos por acreditarem terem de fazer mais um "gasto" e não percebem que trata-se de um investimento com retorno assegurado.

Seca histórica
A Agência Nacional de Águas (ANA) esclareceu que o fenômeno que está ocorrendo na nascente do rio São Francisco, localizada em área de preservação do Parque Nacional da Serra da Canastra, é reflexo da estiagem histórica atípica enfrentada principalmente pela Região Sudeste do País. Os impactos desse fenômeno estão sendo sentidos principalmente no trecho do São Francisco a montante da UHE Três Marias e nos afluentes que não dispõe de reservatórios de regularização. A observação dos dados de precipitação e de vazão nos últimos 20 anos mostra que nessa região os indicadores têm apresentado, com maior frequência, valores abaixo dos médios observados em todo o período das séries históricas de dados (de 1931 a 2014).
Para terem a ordem de grandeza, hoje as 06:00 horas a vazão afluente e defluente da Usina de Ilha Solteira era exatamente igual: 2.530 m3/segundo, enquanto que o Rio Tietê enviava via Canal de Pereira Barreto para o Rio Paraná 82 m³/s à uma velocidade de 0,65 m/s. A cota a montante das usinas hidrelétricas no rio Paraná estava em 319,68 metros e do rio Tietê em 320,08 metros. 

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