Aula OITO - Qualidade da água e avaliação da vazão na prática

"O que se pode dizer é: 1) O ajuste fiscal é fundamental para não só tirar o Brasil do rumo da insolvência, mas eliminar incertezas macroeconômicas que afastam investimentos; 2) 2015 será duríssimo, com desaceleração econômica numa economia já estagnada em função do ajuste fiscal e do aperto monetário - o quadro é de crescimento baixo ou zero, inflação e juros altos e crise no setor de energia e água; 3) Se tem razão quem vê o ajuste fiscal como gerador de estabilidade, confiança e investimentos, tem razão também quem vê um quadro difícil nos próximos anos. O país deve voltar a crescer se o ajuste for integral. Mas os problemas estruturais desenvolvidos nos últimos anos impedem o tipo de crescimento que todos esperam." (Henrique Meirelles, 25 de janeiro de 2015).

Aulas - Qualidade e disponibilidade da água - Métodos e sistemas de irrigação
Estivemos no Cinturão Verde de Ilha Solteira e abordamos planejamento dos recursos hídricos considerando a microbacia como unidade de gestão, a qualidade e disponibilidade da água para irrigação. As aulas são sempre no mesmo lugar e com isso, a partir do registro fotográfico é possível verificar as transformações que o manancial passa a cada semestre, "sentindo" os efeitos das chuvas sobre o córrego e o seu entorno. A erosão tem aumentado e a calha do córrego está se aprofundando e as condições para a realização da prática de hidrometria já não são as melhores, ou seja, deveríamos procurar um trecho mais uniforme para que a vazão seja determinada com mais representatividade. Por outro lado, a realização da prática no local expõe todas as dificuldades e erros que podem ocorrer em uma medição de vazão, que se bem entendidas pelos alunos se constituem em um grande aprendizado, incluindo a discussão sobre o reservatório escavado tomado de Egeria densa (Elodea - 1, 2, 3. 4, 5, 6), um dos maiores problemas ambientais que afeta a operação da Usina Hidrelétrica de Jupiá (e também reservatórios em vários países) e base para várias pesquisas sobre o seu controle e ainda o completo assoreamento da represa, este tomado de taboa (Typha sp, 1, 2, 3), considerada espécie problema e indicador de degradação ambiental, proveniente de erosão e assoreamento. Discutimos os problemas decorrentes da ausência de conservação do solo, erosão assoreamento e como isso afeta a qualidade da água que pode ser classificada por fatores físicos, químicos e biológicos.


Em campo complementaremos a teoria - das condições globais dos recursos hídricos às condições locais - e lembramos que foi oferecida a oportunidade dos alunos aprenderem o software ILWIS para delimitação de bacias hidrográficas, informação necessária para a obtenção da vazão regionalizada, como alternativa para a obtenção da área da bacia hidrográfica, e depois a realização da Outorga do Uso da Água. Já sabemos a diferença entre Q7,10, Q1,10 e Q95, mas usaremos sempre o SIGRH, que é um portal de acesso às bases de consultas, comunicações e conhecimento acumulado, voltado para a comunidade de gerenciamento de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo. Se o aluno desejar conhecer a fundo a teoria que envolve a regionalização de vazão a leitura pode ser feita na publicação "DAEE. Manual de cálculos das vazões máximas, médias e mínimas nas bacias hidrográficas do Estado de São Paulo. São Paulo, 1994, 64p." Em Ilustrações utilizadas em aulas, há alguns tutoriais sobre o ILWIS que será a base das aulas. Confira! Há também uma postagem específica neste Blog sobre a aplicação do software ILWIS na agricultura irrigada.


Na aula, algumas palavras e frases foram frequentes: Comitês das Bacias Hidrográficas, Outorga, Reservação, Barragens de terra, Intervenção, Recuperação, Licença Ambiental... todas visando o planejamento e uso da água. É importante entendermos bem o processo de Outorga do uso da água e a diferença entre a concessão Federal e a Estadual. Outros seminários virão e é importante se preparem bem. No semestre anterior, os primeiros seminários versaram sobre a agricultura irrigada e ainda o desenvolvimento do Cinturão Verde baseado na irrigação e conhecemos um pouco da agricultura irrigada nos Estados Unidos e da Itália, além da Argentina. Os alunos mostraram as diferenças entre países e regiões, suas características próprias e os desafios, enquanto que de um lado há muito o que avançar em área irrigada, em outros o desafio é manter a área irrigadas, devido a limitações de água em quantidade e qualidade. Em relação à prova, esta foi bem conceitual, mas remetendo a pontos básicos da legislação brasileira, que tem na Lei das Águas (Política Nacional de Recursos Hídricos de 1997) e na Lei 12.787/2013 que instituiu a Política Nacional de Irrigação seus fundamentos. As questões teóricas exploraram a multidisciplinariedade exigida para o sucesso da agricultura irrigada, exaustivamente defendida em aulas e no Pod Irrigar. De maneira geral podemos dizer que o bom entendimento da agricultura irrigada ilustrada em aulas exige uma leitura frequente dos alunos sobre os temas desenvolvidos, e não somente na véspera da prova, e assim, muitos dos alunos não conseguiram perceber a relação que envolve o solo, a atmosfera e a legislação em vigor. "A irrigação no Brasil - Situação e Diretrizes" é uma publicação importante para ser lida e disponibilizamos fotos e videos (1 e 2) sobre a irrigação na região Puglia - Itália e também nos Estados americanos do Arizona e California, que foram objeto de nossas visitasVeja outras vídeos no canal da AHI no YouTube. Fechamos também a parte de disponibilidade e qualidade da água e um trabalho prático será realizado, já foi explicado em aula e também há detalhes neste blog. Destacamos alguns dos trabalhos de monitoramento da qualidade e disponibilidade da água em bacias hidrográficas realizados no noroeste paulista pela AHI que podem ser conhecidos a partir da aba Textos Técnicos do canal de ConteúdoJuliana Caldas em seu artigo "Águas do Cerrado: questão estratégica para o País" afirma que o manejo racional dos recursos hídricos é preocupação da pesquisa agropecuária uma vez que Cerrado é origem de grandes bacias hidrográficas.


EBC preparou uma matéria sobre o uso da água. Não gostei apenas da abordagem de que a agricultura é o setor que mais "gasta" como atividade econômica. Somos sim, o "maior usuário" da água, mas toda água que consumimos volta para a atmosfera, apenas mudará de bacia hidrográfica. Também, a cidade "suja" a água, nós, na agricultura, "limpamos" a água com o uso do solo que faz o trabalho de filtro. Mesmo assim, vale a pena conferir a reportagem que tem um excelente infográfico. A matéria começa assim... A Organização das Nações Unidas (ONU) revela que aproximadamente 70% de toda a água disponível no mundo - que já não é muita - é utilizada para irrigação. No Brasil, esse índice chega a 72%. Pelas análises dos últimos relatórios divulgados pela ONU, o uso da água tem crescido a uma taxa duas vezes maior do que o crescimento da população ao longo no último século. A tendência é que o gasto seja elevado em até 50% até 2025 nos países em desenvolvimento; e em 18% nos países desenvolvidos. “Hoje, 780 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso a água potável para beber e muitas outras sem saneamento básico. Por isso trabalhamos com o tema de segurança hídrica; para garantir que a água esteja disponível para produção de alimentos, geração de energia, transporte e preservação de ecossistemas vitais”, disse o presidente do Conselho Mundial da Água, Ben Braga, em entrevista relativa ao Dia Mundial da Água, comemorado em 22 de março. Leia a matéria completaConfira o infográfico preparado pela EBC os dados e análises sobre o uso da água no Brasil e no mundo.











As aulas dos semestres anteriores podem ser visualizadas a partir do canal "Atividades Acadêmicas" do Canal da Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira. Videos destas aulas podem ser vistos no Canal da AHI no YouTube. Esperamos que os alunos aprendam e se motivem ainda mais.


Mas nas aulas reforçamos as condições ideais para se ter ou usar um sistema de irrigação, mas quais são os métodos e sistemas de irrigação existentes, como eles funcionam e quais os sistemas mais usados e em quais culturas? Os métodos de irrigação se classificam de acordo com a maneira com que a água chega até as raízes e assim, os principais métodos de irrigação são: superfície, aspersão e localizada. Entre os métodos há as variações, que chamamos de sistemas de irrigação. No noroeste paulista, por exemplo, os sistemas mais utilizados pelos nossos irrigantes são os de aspersão convencional e aspersão em faixa para irrigar pastagem e hortaliças, o pivô central é o preferido para irrigação de feijão, milho e soja em grandes áreas e o carretel enrolador é também utilizado em cereais e oleaginosas, mas principalmente para aplicação de efluentes agroindustriais em áreas cultivadas com cana ou citros. Os sistemas de irrigação por microaspersão são muito utilizados em citros, videiras e demais fruteiras perenes e os sistemas por gotejamento irrigam seringueira, citros, abacaxi, hortaliças de frutos e fruteiras em geral. Algumas regiões brasileiras em função de cultivos predominantes se destacam pelo maior uso de um ou outro sistema, assim, na região de Paranapanema em São Paulo se destaca o pivô central, que também se sobressai em Cristalina - GO. No Triângulo Mineiro, na região de Colatina - ES, com cafezais, bem como o Polo de Petrolina - PE / Juazeiro BA com produção de hortaliças e frutas, é a irrigação localizada que predomina, enquanto que a produção de arroz no Rio Grande do Sul faz com que a irrigação por inundação seja destaque naquele Estado.

Cebola sendo irrigada por gotejamento, mas a irrigação por sulco garante a água para a limpeza das mãos no transplantio

Canal abastece os sifões que transportam a água até os sulcos de irrigação.

Também discutimos os sistemas de irrigação por aspersão tipo convencional (incluindo em malha e em faixa utilizados principalmente para pastagem e cafezais e ainda sobre a irrigação de parques, jardins e campos esportivos), carretel enrolador, pivô central e deslocamento linear, com sua vantagens e limitações. Destacamos recalque, adutora, linha principal, linha secundária, linha lateral, aspersores, "bengala", difusores, "sprays", reguladores de pressão, torre, vão livre, altura do pivô, LEPA, velocidade de infiltração, TIB, precipitação x vazão em aspersão convencional e em pivô central, velocidade de deslocamento x precipitação, CAD e a influência e importância das características físico-hídricas do solo sobre os métodos de superfície e aspersão. Confiram os emissores da Nelson e da Senninger que equipam a maioria dos pivôs centrais no Brasil. Assista também "Irrigação localizada em diferentes culturas e solos" com pontos importantes na definição de projetos e "Sistema de irrigação usado em goiaba inadequadamente", com exemplo também de um sistema que poderia ter sido melhor instalado.

 
Na aspersão sempre haverá a necessidade de sobreposição dos jatos como ilustrado em um sistema convencional, nas fotos acima e abaixo.


Em relação aos sistemas de irrigação, reforçamos novamente a ideia de que não há o melhor sistema e sim aquele que mais se adapta às condições locais de solo, clima, cultura, disponibilidade financeira e qualificação da mão de obra. Citamos o exemplo do trabalho de Jack Keller (1), que depois de se aposentar na Utah State University, aos 84 anos ainda trabalhava na Keller-Bliesner Enginnering, onde desenvolveu projetos de fabricação de emissores na Índia para uso em países da Africa, em pequenas propriedades, um projeto financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates e estivemos na empresa para conhecer este trabalho e outros em cooperação com a ONG WinRock Water também foram objetos de nossas conversas. Jack Keller nos convidou para visitar sua casa onde conhecemos os emissores desenvolvidos por ele, mas mesmo com um grande quintal, não pudemos conhecer o sistema de irrigação, porque já tínhamos 30 ou mais centímetros de neve acima do solo. Este trabalho de desenvolvimento e fabricação de emissores de baixo custo foi mostrado também no Inovagri Meeting 2012 pelo próprio Keller (1, 2) na palestra "Holistic Pressurized Irrigation Development". Jack Keller faleceu em outubro de 2013 quando voltava de mais um trabalho na América Central. Richard Allen durante o II Inovagri Internation Meeting rendeu homenagens e escreveu sobre Jack: "We miss you… We learned much from you… We now know how to think more clearly about problems and solutions and decompose difficult problems and systems into more simple components for solving... We now know how to enjoy our profession" (slide 4).

O livro "Goiaba: do plantio à comercialização" (ISSN 2236-028X) com o capítulo "Sistemas e Manejo de Irrigação na cultura da goiaba" de nossa autoria e do Engenheiro Agrônomo Aloísio Costa Sampaio, também da UNESP está disponível e serve de exemplo de seleção de sistemas para um cultura e condições específicas. É ilustrados com detalhadas imagens. José Maria Pinto escreve o artigo "Cultivo da Cebola no Nordeste" onde mostra como usar os diferentes sistemas de irrigação.

Pivô central que incorpora grande tecnologia embarcada podendo ser controlado remotamente.


Pivô central que além de incorporar grande tecnologia embarcada pode trabalhar em topografia acentuada.

Pod Irrigar - Crise por água e energia será resolvida no campo e agricultores tem papel relevante
Esta semana será lembrada por muito tempo. E direta ou indiretamente todos os fatos se ligam pela água. Começa na inesquecível segunda-feira - dia 19 de janeiro de 2015 com o novo Ministro da Fazenda anunciando que mais impostos serão cobrado dos brasileiros em prol da recuperação financeira do Governo. Em vez de se planejar e gastar somente o que dispõe, se vai ao bolso do brasileiro buscar o que faltou, sem a devida contrapartida em serviços de qualidade, especialmente na educação, na saúde e na oferta de infra estrutura de transporte e de energia, que aumentaria a produtividade do trabalhador e dos negócios e também a arrecadação dos impostos.
Na mesma segunda-feira o consumo de energia foi recorde, a geração e transmissão da energia não foram suficientes e vários Estados experimentaram novo apagão e brasileiros são impactados de várias maneiras e ainda, por aqui, no noroeste paulista, o rio Paraná teve seu nível de água rebaixado em 14 centímetros em apenas um dia.
A semana segue, a Folha de São Paulo em Editorial lembra que os "Dias difíceis" são reflexos de decisões equivocadas, enquanto isso a chuva de janeiro - mês mais chuvoso do ano - insiste em repetir dezembro, com volumes menores que o histórico e a oferta de água para a população diminui ainda mais. Outro Ministro, lembra que "Deus é brasileiro" e não nos deixará sem água. Enquanto isso, em 18 dos 27 Estados, mesmo com a adversidade climática aumentada, o consumo de água aumentou em relação à 2013 e o Brasil segue perdendo 37% da água tratada ao longo das tubulações, num flagrante desperdício. Sem planejamento, profissionalismo e conscientização crises são inevitáveis!
É verdade que temos uma crise por água e devemos sair dela com medidas imediatistas, mas não se enganem e passem a olhar para o agricultor como aquele que pode representar a segurança hídrica a médio e longo prazo, porque suas terras estão aptas a receber a água da chuva, promover a infiltração e armazenamento no solo, depois no lençol freático e também em barramentos.
Basta planejar, incentivar e conscientizar para a conservação do solo, recomposição das matas ciliares e preservação das nascentes. E este trabalho envolve diferentes esferas governamentais, associações, cooperativas e demais envolvidos com o uso da água. Água: vai esperar acabar para economizar? Este foi o tema do Pod Irrigar - o Pod Cast da Agricultura Irrigada desta semana. Ouça também os anteriores

Crise por água e energia
Nesta situação, na quinta e sexta-feiras somos convidados a participar de quatro entrevistas. Band FM, Rádio 9 de Julho, Folha de São Paulo e TV Tem recorreram a opinião deste Professor, onde podemos reforçar a convicção de que é no e do campo que sairá a solução a médio e longo prazo para o problema da água ou a garantia da segurança hídrica, como temos intensamente discutido em sala de aula e em palestras e cursos.

Jornalista Ricardo Casagrande, Produtor Leandro Marini e Professor Fernando Tangerino.


Tela do Canal CLIMA da UNESP Ilha Solteira utilizado diariamente na Band FM.

 Jornalista Pollyana Moda, Cinegrafista Gabriel e Fernando Tangerino em entrevista à TV Tem.

Jornalista Pollyana Moda, Cinegrafista Gabriel e Fernando Tangerino em entrevista à TV Tem.



O menor volume de chuvas em todo o Estado de São Paulo impactará no aumento dos custos de produção. Já o preço final ao consumidor, hortaliças podem ficar mais caras por terem mercados mais regionais do que os dos grãos, que são globais. De qualquer maneira, para continuar a captar água, além do aumento dos custos, novos investimentos estão sendo necessários.

E o setor de irrigação defende eficiência de tecnologias com representantes da Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação (CSEI) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) se reunindo com o secretário de agricultura do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, para apresentar dados sobre as tecnologias de irrigação utilizadas no país e defender a eficiência desses métodos. Leia os detalhes! (A, B, C, D)





Grãos - Cana - Negócios - Artigo
Mauro Zafalon informa que os preços do etanol caem nos EUA e setor teme aumento de importação, o que seria favorável as regiões Norte e Nordeste devido aos custos de logística. Em 2014, o Brasil importou 452 milhões de litros (243% a mais que 2013). A produção mundial de grãos vai superar o recorde de 2 bilhões de toneladas em 2014/15 e o consumo também cresce e vai a 1,97 bilhão de toneladas. O mesmo ocorre com os estoques de passagem de uma safra para outra, que sobem para 432 milhões. A produção de milho fica estável em 992 milhões, enquanto a de soja sobe para 312 milhões de toneladas. A safra de verão de milho deverá ser de 35,3 milhões de toneladas e a safrinha deverá atingir 49,1 milhões. Com isso, a produção total de 2014/15 fica em 84,4 milhões de toneladas de milho,


Temperatura elevada - Extensão - Comunicação - Eventos


E o III INOVAGRI MEETING está chegando. Dia 13 de fevereiro de 2015 será o último dia para enviar seus trabalhos. Você não vai perder esta oportunidade de estar em Fortaleza entre 31 de agosto e 3 de setembro com os maiores pesquisadores do mundo, vai?

Negócio - História - Empreendedorismo - Visão

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