Aula Dezesseis, impacto do baixo nível dos reservatórios e irrigação de jardins e campos esportivos


Pod Irrigar - Baixo nível dos lagos das hidrelétricas impõe custos adicionais aos usuários de água
Ontem, a caminho de Uberlândia, passei sobre o Rio Grande na ponte a juzante da Usina de Água Vermelha. Este rio que divide os Estados de São Paulo e Minas Gerais, neste ponto, o nível da água depende da vazão da Usina e também se posiciona como o final do reservatório da Usina de Ilha Solteira e atualmente visualizamos uma cena no mínimo triste.
O baixo nível de água dos reservatórios das hidrelétricas, em 26 de março de 2015 estava em 318,99 metros no rio Paraná, 9 metros abaixo do nível máximo, é resultado de um regime de chuvas atípico, abaixo da média esperada e do uso da água para a geração de energia.
Tendo o país efetivamente crescido em suas atividades econômicas e novas fontes de energia não sendo implementadas na mesma proporção em que se cresceu a demanda, para se produzir energia, que as hidrelétricas estão funcionando plenamente e muitas horas do dia e assim, não consegue recompor o nível dos lagos devido ao elevado consumo de água das represas.
Na terceira maior usina hidrelétrica do país, a de Ilha Solteira, alguns acreditam que os cinco metros ainda de altura de água para se atingir o volume morto são suficientes para passar pela estação seca, mas este nível de água é considerado muito baixo para outros setores da economia - como a agricultura irrigada e a aquicultura -, pois impõe limitações técnicas para a captação de água - o chamado NPSHdisponível (A, cavitação) - somente superadas com novos investimentos no sistema de sucção, que provavelmente ficarão obsoletos se amanhã conseguirmos recompor o nível dos nossos reservatórios.
Temos uma situação comprovadamente crítica de oferta de água para os diferentes setores econômicos e devemos olhar para frente e iniciar ações agora para que a água da chuva seja melhor aproveitada e por mais tempo: conservação do solo, recuperação de mananciais degradados, construção de barragens de terra, usar água com inteligência - sem desperdício - e um forte trabalho de treinamento, conscientização e convencimento são absolutamente necessários. Esse foi o tema que desenvolvemos esta semana no Pod Irrigar - o Pod Cast da Agricultura Irrigada desta semana. Ouça também os anteriores

Paisagismo e campos esportivos
E chegamos ao fim de mais um semestre! Pela manhã os últimos seminários e a tarde a última prova. Em várias ocasiões temos incentivado nossos alunos e também os Engenheiros Agrônomos a se interessarem mais pela área de irrigação de parques, jardins e campos esportivos e abraçarem também o paisagismo com o respaldo dos sistemas de irrigação. Somos da opinião de que Engenheiros Agrônomos reúnem qualificações que podem qualificar o trabalho desenvolvido, afinal, conhecem plantas como ninguém, recebem ensinamentos específicos sobre paisagismo, topografia, hidráulica e irrigação, entre outros, e assim, podem agregar ainda mais valor ao projeto e à sua implantação e ao seu perfeito funcionamento. Nesta direção, a Folha de São Paulo em 30/11/2013 - p.A.3, pergunta: " A profissão de paisagista deve ser autônoma?" SIM é a opinião de Eliana Azevedo, Cecília Herzog e Julio Pastore no artigo "Paisagens que queremos ter", enquanto que NÃO é o pensamento de José Armênio de Brito Cruz no artigo "Profissional generalista". Fizemos um seminário sobre o tema em que os apresentadores disseram acreditar que a irrigação de parques, jardins e campos esportivos.


Em projetos de irrigação de campo esportivo deve-se prestar atenção na escolha do bocal e as vazões correspondentes para que se mantenha a mesma precipitação. O lay-out do sistema, a definição de como os aspersores serão alimentados e o número de setores e o entendimento de que a perda de carga deve ser calculada trecho-a-trecho é o diferencial dos demais sistemas aprendidos. Utilizamos aspersores tipo gear-drive devido ao alcance dos jatos, mas os aspersores de última geração chamado MP-Rotator, da fábrica Hunter são cada vez mais utilizados em parques e jardins. Ambos são aspersores tipo pop-up (escamoteáveis) e o Rotator usa jatos "giratórios", enquanto que o gear-drive se apresentam em jato único. A hidráulica é a mesma, o que muda é o entendimento de que a vazão deve mudar conforme a área irrigada pela emissor, mas a precipitação deve ser a mesma e assim, a perda de carga deve ser calculada trecho a trecho, exigindo mais atenção e que torna o trabalho mais trabalhoso. Na irrigação de campos esportivos, a escolha do emissor em consonância com a vazão adequada (bocal) e raio irrigado consome um bom tempo. Catálogos diversos estão disponíveis no na aba "Atividades Acadêmicas" do canal de conteúdo da AHI e além dos livros-textos já recomendados, o de Pete MELBY vale a pena consultá-lo. Isabella Baesso fez uma ótima postagem sobre o tema neste blog. Conheça também os sistemas de drenagem utilizados na Copa do Mundo FIFA. Relembrem sempre os conteúdos de Hidráulica Agrícola relativos à Golpe de Ariete, escolha de mobo-bomba e NPSH. As Arenas preparadas no Brasil para a Copa tiveram destaque no Google Street View e é possível conhecê-las AQUI! Que tal começar pela Arena Corinthians?

Foto enviada por Michel Siqueira diretamente da Arena Recife com a irrigação no intervalo do jogo e pode-se observar o setor de irrigação. 


Combinando pesquisa, ensino e extensão
A Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira desenvolve trabalhos que unem a base de equipamentos e infraestrutura preparada para a pesquisa, com atividades de ensino e de extensão, que permite a otimização de recursos, formação de profissionais mais qualificados e ainda fornece a base referencial para o uso eficiente da água e o desenvolvimento de diferentes projetos que dependem ou são influenciados pelas condições climáticas. A Rede Agrometeorológica do Noroeste Paulista composta por oito estações agrometeorológicas automáticas instaladas entre as margens direita do rio Tietê e a esquerda do rio Grande foi implantada como a base necessária para a realização de pesquisas que combinam sensoriamento remoto (ou imagens de satélite) com dados obtidos por estações agrometeorológicas para estimar a evapotranspiração - a perda de água para a atmosfera - em escala regional, até então inexistente na região.

No entanto, os dados coletados pelas estações agrometeorológicas não ficam restritos a pesquisadores e são disponibilizados de forma livre e gratuita no canal CLIMA da UNESP Ilha Solteira em http://clima.feis.unesp.br a qualquer interessado. Dados livres, significa que o acesso aos dados pode ser feito diretamente pelo Internauta sem que haja a necessidade de contactar previamente alguém da UNESP e gratuito porque não paga pelos dados coletados e disponibilizados. Assim, alunos e pesquisadores podem ampliar suas pesquisas que dependem de informações climáticas e ainda em aulas, podem realizar exemplos com informações reais da região noroeste paulista, onde estamos inseridos. São disponibilizadas dados tanto em tempo real, como a base histórica, permite uma infinidade de aplicações, cada dia mais relevante face às mudanças climáticas e eventos extremos cada vez mais frequentes. E agora já estamos falando de outro componente do trabalho, que é o de extensão universitária. A infraestrutura permite que a UNESP receba a visita de alunos do ensino fundamental, médio e superior, que são instruídos de como os elementos do clima interferem no dia a dia e ainda, ao divulgar a evapotranspiração a intervalo de uma hora, permite que irrigantes tenham a possibilidade de realizar a aplicação de água pelos sistemas de irrigação de forma controlada, de modo a suprir apenas o que foi perdida para a atmosfera. Isso feito ele tem economia de água e de energia e ainda maiores lucros.

O canal CLIMA da UNESP Ilha Solteira é dividido em três núcleos básicos de busca e acesso: (A) é possível definir a estação agrometeorológica e acompanhar em gráficos e tabelas tudo o que acontece na região de interesse; (B) é permitido ao Internauta acessar toda a base histórica e ainda fazer comparações entre as variáveis climáticas e ainda cálculos no banco de dados obtendo valores extremos e ainda o (C) acesso aos produtos oferecidos, que são gráficos e mapas de acompanhamento em tempo real de todas as estações e as principais variáveis climáticas, tais como temperatura, umidade do ar, velocidade e direção do vento, chuva, evapotranspiração, pressão atmosférica e radiação global e líquida. E assim, as possibilidade de uso dos dados são imensas.

Ainda como atividade de extensão universitária é oferecida rotineiramente informações sobre o tempo e a agricultura irrigada também no Blog da Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira em http://irrigacao.blogspot.com. Também, em ação complementar, o canal de conteúdo está hospedado em http://www.agr.feis.unesp.br/irrigacao.php, o canal de video em http://www.youtube.com/fernando092 e ainda há a Fan page no Facebook

Legislação
"A Reserva Legal, área da propriedade que deve ser mantida conservada em cada uma das propriedades rurais, antes vista como um grande problema pelos agricultores, sofreu alterações em seu regime jurídico e, apesar de ainda ser encarada como um ônus para o proprietário, agora pode ser regularizada de formas mais flexíveis e economicamente viáveis". Saiba mais no artigo de Samanta Pineda!

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