Aula Treze - Agricultura irrigada e recursos hídricos em destaque

Irrigação em cana no deserto de Olmos, no Peru. São 8.250 hectares em Casa Grande e Cartavio. (Fotos: Antonio José Diniz Júnior)

Pod Irrigar - Planejamento ambiental e uso inteligente da água depende de dados agrometeorológicos
Não se consegue um bom planejamento ambiental e/ou o uso inteligente da água sem informações dados agrometeorológicos. Uma demanda crescente da sociedade face as mudanças climáticas e eventos extremos que se sucedem em número e intensidade.
Muitas das estações meteorológicas estão em instituições de pesquisa ou em universidades e são a base para trabalhos científicos, portanto de acesso restrito a pesquisadores.
No entanto, acreditamos que quanto mais pessoas e jornalistas tiverem acesso e informações sobre o tempo e o clima, menor será o caminho para se alcançar a resiliência necessária à estes extremos.
Responsável pela Rede Agrometeorológica do Noroeste Paulista, há dez a Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira disponibiliza na Internet informações sobre agricultura irrigada e principalmente agrometeorológicas que permitam ao interessado planejar e gerenciar o meio ambiente e os recursos hídricos, com ênfase ao manejo da irrigação, ou seja, o quando e o quanto irrigar e especialmente ter um aumento na eficiência do uso da água, ao mesmo tempo em que a imprensa cada vez mais se alimenta das informações ligadas a chuva, temperatura, evapotranspiração, déficit de água no solo, entre outros.
Neste contexto de crise hídrica em que se somam os fatores envolvidos com a ocorrência de chuvas, temperaturas máximas recordes, aumento da evapotranspiração, no dia 12 de março de 2015, o DEFERS - Departamento de Fitossanidade, Engenharia Rural e Solos e juntará ao GIFC - Grupo de Irrigação e Fertirrigação de Cana-de-açúcar para promover a sua a 19ª reunião com o tema “CLIMA, ÁGUA, IRRIGAÇÃO E PRODUTIVIDADE EM CANA”, aqui na UNESP, em Ilha Solteira.
Debateremos o uso da água no atual cenário climático e os seus impactos na produção agrícola do País e teremos profissionais de diferentes áreas discutindo os diferentes aspectos que envolvem o manejo da água e efluentes para na cultura da cana sob as condições climáticas atuais e históricas e ainda debaterá estratégias para a execução de pesquisa aplicada em irrigação de cana e estratégias de comunicação de modo a aumentar o alcance do conhecimento já acumulado. Será uma grande oportunidade! A programação detalhada pode ser conhecida no sítio http://www.gifc.agr.br e é necessário fazer a inscrição antecipada devido a limitação de vagas. Esse foi o tema que desenvolvemos esta semana no Pod Irrigar - o Pod Cast da Agricultura Irrigada desta semana. Ouça também os anteriores.

Aulas - Sistemas de irrigação por gotejamento e manejo da irrigação via atmosfera
Nas aulas da semana passada finalizamos o projeto de aspersão, conhecemos em detalhes os materiais e conexões utilizadas em irrigação localizada e os conceitos envolvidos na elaboração de um projeto de irrigação. A irrigação é o método artificial de aplicação da água na agricultura que tem a finalidade de suprir as necessidades hídricas da planta, em caráter total ou suplementar. Isto quer dizer que a irrigação viabiliza o cultivo de espécies de plantas em locais onde, sem sua aplicação, seria impossível suprir as plantas com água. Através do desenvolvimento tecnológico e da criação de diferentes métodos de irrigação e metodologias de manejo, a irrigação tornou-se sinônimo de eficiência de produção, modernidade e de garantia de qualidade aos produtos. Em aulas reforçamos o manejo da irrigação, onde conceitos como evapotranspiração de referência e da cultura, coeficiente de cultura, CAD, água disponível, reserva de água no solo, umidade crítica, velocidade de deslocamento, lâmina aplicada, entre outros, foram ensinados. Em relação ao manejo da irrigação via atmosfera fizemos um exemplo real de ,manejo em pivô central. Os livros-textos (didáticos), bem como os softwares e sítios para os temas abordados estão disponíveis no canal "Atividades Acadêmicas - Bibliografia" no canal da Área de hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira.
Consideramos o maior de todos os desafios é a implantação do manejo da irrigação pelo irrigante, exatamente por demandar conhecimento técnico e prática diária de coleta de informação e cálculos para a tomada de decisão. Trata-se de um grande desafio em qualquer lugar do mundo em que se use a irrigação para garantir as elevadas produtividades. Veja alguns exemplos de eventos para treinar e disseminar o conhecimento neste tema na Nova Zelândia (1) e Estados Unidos (OregonMaryland). Mas assista também o depoimento de irrigante no Perímetro Baixo Acaraú no Ceará e os cuidados com os tensiômetros para o manejo da irrigação. A previsão do tempo é uma ferramenta importante e deve ser utilizada em conjunto para decidir o início da irrigação. Vários serviços estão disponíveis, o Forecast é apenas mais um exemplo!

É um pouco antigo, mas é ainda é um ótimo vídeo sobre a importância da agricultura irrigada, os sistemas de irrigação e o manejo da irrigação.



19º ENCONTRO DO GRUPO DE IRRIGAÇÃO E FERTIRRIGAÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR: "CLIMA, ÁGUA, IRRIGAÇÃO E PRODUTIVIDADE EM CANA"
O encontro terá como foco "CLIMA, ÁGUA, IRRIGAÇÃO E PRODUTIVIDADE EM CANA" com palestras de profissionais ligados à atividades tema e terá como objetivo debater o uso da água no atual cenário climático e os seus impactos na produção agrícola do País. Diante de um cenário de crescimento populacional e de consequente aumento de consumo de água, energia e alimentos, onde a gestão da água e da energia é fundamental para a garantia do desenvolvimento e crescimento, a Área de Hidráulica e Irrigação e o DEFERS - UNESP se juntam ao Grupo de Irrigação e Fertirrigação de Cana-de-açúcar (GIFC) para promover e debater este tema. 
O setor sucroenergético enfrenta há alguns anos uma crise que tem origem em problemas setoriais e conjunturais. Os conjunturais começam a dar sinais de melhora principalmente analisando os presos de etanol e energia e suas projeções. Entre os setoriais, a perda de produtividade causada por um planejamento de atividades agrícolas que não considera, em muitos casos, o melhor manejo da água para o plantio, tratos de soqueira e colheita, ficou muito evidente com as fortes variações climáticas observadas nos últimos anos. Dessa forma o GIFC reafirma que o bom manejo da água é um dos caminhos para a elevação das produtividades médias dos canaviais que precisa atingir as 100 toneladas/ha para suportar e sustentar o setor sucruenergetico como produtor de commodities e, portanto sujeito a grandes variações de presos que exige definições estratégicas e investimentos. 
8h00 às 8h30 - Inscrições com Welcome Coffee
8h30 às 8h40 – Abertura Oficial com execução do Hino Nacional
8h40 às 9h00 - Boas vindas e importância do setor sucroenergético - Prof. Dr. Luiz Malcolm Mano de Mello (Chefe do DEFERS – UNESP Ilha Solteira)
9h00 às 09h30 - "Ações e resultados em 2014 do GIFC e estratégia de atuação e comunicação em 2015" - Engenheiro Agrônomo Marco Viana (Diretor Executivo do GIFC)
9h30 às 10h15 - "Importância do monitoramento climático, a instabilidade climática em 2014 no Estado de São Paulo e impactos na agricultura e demais atividades econômicas" – Prof. Dr. Ronaldo Cintra Lima (UNESP Dracena) e Dr. Orivaldo Brunini (Pesquisador Científico do IAC e Coordenador do CIIAGRO)
10h15 às 10h30 - Coffee Break
10h30 às 11h15 - "Balanço hídrico, apoio ao irrigante, necessidade de irrigação, uso da água e resultado econômico: como estabelecer sinergia?" – Professor Dr. Fernando Braz Tangerino Hernandez (DEFERS UNESP)
11h15 às 12h00 - "Pegada hídrica: o que é isso e como produzir mais, melhor e com eficiência econômica?" Eduardo Augusto Agnellos Barbosa - Doutor em Engenharia Agrícola - (UNICAMP/FEAGRI)
12h30 às 13h30 - Almoço
14h00 ás 16h00 - Debates entre os participantes com a Coordenação do Engenheiro Agrônomo Ricardo Pinto (Sócio Diretor RPA Consultoria)
COMO PARTICIPAR
Inscrições gratuitas limitadas podem ser feitas AQUI (http://www.gifc.agr.br/inscricao-para-reuniao/), ou enviando e-mail para contato@gifc.agr.br, solicitando sua inscrição.

Uso da água - Irrigação - Cana - Café
Marco Viana, superintendente do GIFC - Grupo de Irrigação e Fertirrigação de Cana-de-Açúcar, acompanhou as discussões sobre a gestão eficiente da água para irrigação promovidas durante a feira, realizada entre 03 e 05 de março em Araguari - MG. Para Marco Viana, a participação na Fenicafé foi importante para conhecer um dos principais eventos sobre irrigação realizados no país. Paralelo à feira, que recebe um público médio de 25 mil pessoas vindas de todas as regiões produtoras de café do país, são promovidos dois eventos. Além do Simpósio, aconteceu também o XX Encontro Nacional de Irrigação da Cafeicultura no Cerrado. “O evento é grandioso e comprova que o manejo responsável da água deve ser discutido e difundido. Os cafeicultores dão um bom exemplo para o setor sucroenergético. Trazemos da feira ótimas experiências para a segunda edição do Irrigacana – Seminário Brasileiro de Irrigação de Cana-de-Açúcar com Água, que será realizado em Ribeirão Preto em 2015”, avalia Viana. O superintendente do GIFC destaca ainda que o atual cenário climático e os impactos na produção agrícola também foram temas dos debates e apresentações promovidas na feira. Viana entende que investir em eventos setoriais é fundamental para contribuir para o desenvolvimento do segmento. Ele lembra a declaração do presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Francisco Sérgio Assis, que afirmou que “a Fenicafé trouxe inovações e tecnologias para o uso responsável da água. Hoje, com as novas técnicas de irrigação, pudemos reduzir em 50% o uso da água na irrigação das lavouras”.

Também a Asplan promoveu palestra sobre manejo de irrigação em cana-de-açúcar, com a exposição das mais novas técnicas e indicações da irrigação em cana-de-açúcar. anasses Mesquita da Silva, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) foi o palestrante do evento, direcionado para os associados da entidade, mas aberto ao público interessado . “Realizamos a palestra para que o fornecedor saiba como fazer uma irrigação de forma racional. Por ser uma questão cara ao fornecedor, fazemos na Paraíba uma irrigação de salvação, que é aquela que se faz apenas para que a cana germine”, disse o coordenador do Departamento Técnico da Asplan (Detec), o engenheiro agrônomo, Vamberto de Freitas Rocha, destacando que muitos fornecedores que não realizam essa irrigação acabam com uma área de cana com baixo índice de germinação.

Irrigação por aspersão convencional com alas móveis, que é utilizado também na irrigação suplementar de culturas em rotação, no caso da foto central, sorgo. (Fotos: João Marcos Fontanelli). Um das opções para irrigação em cana, outras são carretel enrolador, pivô central e gotejamento.

A Revista Greenpeace publicou a extensa reportagem "Ilha Solteira pede água" em que retrata as consequências do abaixamento do nível do reservatório de nossa cidade, mas conta um pouco da história da construção da atualmente a terceira maior usina hidrelétrica do Brasil, que na época da construção foi a maior, com capacidade de gerar 3,444 GW em suas 20 turbinas. Há videos com depoimentos. A matéria se utiliza dos dados climáticos divulgados pela Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira para explicar a situação: a região "acumulou 36 milímetros de chuva até 22 de janeiro de 2015, ou seja, aproximadamente 15% da média histórica para o mês, que é de 232 milímetros. É a pior média pluviométrica desde 1992, quando o levantamento dos índices de chuva em Ilha Solteira começou a ser feito." E janeiro fechou com 79 mm, ante ao esperado de 232 mm, ou seja, apenas 34% do esperado. Em fevereiro choveu 228 mm e em março 23 mm, representando no acumulado, apenas 60% do total de chuva esperado.

André Fernandes, da comissão organizadora da Feira Nacional de Irrigação em Cafeicultura (Fenicafé) diz que “A irrigação no Brasil ocupa apenas 7% da área. Não é possível que seja responsabilizada pelo caos no abastecimento, principalmente o urbano. No café, temos em torno de 10% da área irrigada, porém esta área é responsável por 30% da produção nacional”. Lembra que o Brasil possui grandes quantidades de água concentradas tanto nos rios quanto em lençóis freáticos, é um dos países com as maiores reservas de água do mundo. “Necessitamos de políticas públicas voltadas à reservação da água para aumentar a disponibilidade desse recurso para o setor agrícola, além de manter as vazões dos cursos d’água ao longo do ano”, ressalta. Ainda em relação à água, a Fenicafé discutiu tanto os aspectos climáticos, que promoveram a falta de água nas principais regiões cafeeiras nos últimos dois anos, até os que permitem que os cafeicultores se tornem produtores de água, além da recuperação de áreas degradadas, proteção dos mananciais e adoção de sistemas de irrigação mais eficientes, dentre outros assuntos.

Enquanto isso, o racionamento de água provocaria perdas bilionária à agropecuária, diz GO Associados, que avalia que um eventual racionamento de água no Sudeste, região que responde por cerca de 50 por cento da receita bruta da agropecuária do Brasil, poderia resultar em perdas de bilhões de reais ao setor no caso de uma restrição hídrica de consumo de 10 por cento em 12 meses. O Sudeste brasileiro, que consome 56 por cento dos mais de 10 trilhões de litros de água usados anualmente pelo Brasil, poderia registrar uma queda anual de 22,5 bilhões de reais na receita agropecuária, para 202,5 bilhões de reais. "Nessas condições, a receita anual da agropecuária brasileira encolheria 5 por cento, passando de 450,0 bilhões de reais para 427,5 bilhões de reais", afirmou a GO, acrescentando que o PIB da agropecuária brasileira diminuiria cerca de 2 por cento.

Energia renovável


Camila Ramos, Diretora-geral da Clean Energy Latin America (Cela) em artigo defende que o futuro da energia no Brasil é renovável.


Economia

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