Bloqueio atmosférico reforça as chuvas na faixa litorânea da Bahia

A situação meteorológica continua mostrando sobre o Brasil a persistência de uma circulação atmosférica de tipo bloqueio, que impede a mudança do tempo sobre grande parte do Brasil. A carta de superfície (Figura 1) mostra  a presença do anticcilone de bloqueio de 1024 hPa localizado no Atlântico Sul, a leste da Provîncia de Buenos Aires (Argentina) e aproximadamente sobre o meridiano 38°W. A nordeste deste centro anticiclônico, observa-se a presença de um ciclone extratropical (fora do domínio da Figura), cujo ramo frio caracteriza uma frente subtropical que se estende sobre o Oceano bem afastada da costa da BA. Este sistema organiza um canal de umidade em direção ao sul e leste do Estado baiano. Com este padrão de circulação predominante, o tempo sobre o centro-leste das Regiões Sul e Sudeste fica condicionado pela borda ocidental do anticiclone de bloqueio, favorecendo o aumento de nebulosidade e temperaturas amenas sobre a faixa litorãnea de ambas as regiões, principalmente entre os Estados de Santa Catarina (SC) e o Espírito Santo (ES).  No leste da BA, a convergência de umidade estimulada pela frente subtropical sobre o Oceano Atlântico e circulação dos ventos da alta de bloqueio, deixa muitas nuvens e condições de chuvas periódicas no sul da BA e de pancadas de chuva localizadas nas demais áreas do litoral baiano. Ressalta-se que em Slavador (BA) nas últimas 24 hs tem chovido aproximadamante 100 mm, provocando impactos significativos na população.

Figura 1. Carta de superfície.

A previsão para os próximas dias indica que o bloqueio atmosférico persistirá por mais tempo sobre América do Sul. Desta maneira, o tempo não deverá sofrer grandes mudanças. A Figura 2 mostra o campo de altura geopotencial (linha contínua) e de anomalia (sombreado) de altura geopotencial prevista para a próxima terça-feira 17/05. Nota-se uma crista (alta pressão) com anomalias positivas de até 240 mgp localizado no Atlântico Sul e um cavado (baixa presão) com anomalias negativas no Pacífico Sul com valores que passam de 260 mgp. Com este padrão de circulação, os transientes (frentes, ciclones e anticiclones) são conduzidos ao longo do cavado de noroeste para sudeste em direção ao Oceano Atlântico Sul, sem poder atingir as áreas continentais do Brasil. Os sistemas frontais descarregarão toda a chuva sobre o sul do Chile, podendo provocar acumulados anômalos sobre várias localidades. O ar frio polar não poderá avançar para nosso país. Por isso, não se prevê nenhuma onda frio na próxima semana para boa parte do centro-sul do continente sul-americano, incluindo o Brasi. Por outro lado, o bloqueio atmosférico favorece e intensifica a convergência de massa e de umidade sobre o leste da BA, devido a permanência da frente subtropical sobre o Atlântico. Ressalta-se que este sistema frontal subtropical fica no oceano bem longe do continente, porém o canal de umidade consegue atingir a faixa continental. Desta forma, a chuva sobre parte do sul e leste da BA deverá persistir por vários dias, provocando transtornos significativos na população. A capital Salvador deverá ter chuva significativa, de forma intermitente, pelo menos até a próxima quarta-feira (19/05).

Figura 2. Campo de altura geopotencial (linha contínua) e de anomalia (sombreado) de altura geopotencial prevista para a próxima terça-feira 17/05. 

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