Aula Doze - Agricultura irrigada foi tema de debates na semana

"Por agora, o "caso grego" apenas oferece uma lição aos pequenos "che guevaras" que gostam de brincar à política com a vida de milhões de seres humanos: ocultar a realidade com mentiras e soberba é o primeiro passo para que a realidade nos esmague sem perdão." (João Pereira Coutinho, 14 de julho de 2015, FSP)

Pod Irrigar - Agricultura irrigada é discutida na região do Alto Paranapanema
Participamos do II Seminário de Agricultura Irrigada, uma iniciativa do CBH - ALPA - Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Paranapanema e da ASPIPP. Logo na abertura a presença de representantes dos Secretário da Agricultura e dos Recursos Hídricos e de Deputados deu a dimensão e a importância do evento em uma região que apresenta números de fazer inveja: 60 mil hectares irrigados, o maior PIB agropecuário paulista e o 8o. do Brasil em Itapetininga - onde aconteceu, proporcionados pela agricultura irrigada e seus efeitos multiplicadores, ressaltados pelo Coordenador da CATI como também fator de sustentabilidade do negócio agropecuário.
José Carlos Rossetti lembrou que a pecuária de leite com o uso de sistemas de irrigação voltou a viabilizar economicamente as pequenas propriedades e deu conhecimento de como os Técnicos paulistas sob sua coordenação estão sendo capacitados para mitigar os efeitos perversos da insegurança hídrica.
Já Rui Brasil falou de como os diferentes profissionais interpretam a técnica de irrigação, mas que atualmente todos concordam que representa sustentabilidade das terras e da água, mas que o desafio de compartilhar este insumo através do uso múltiplo é um grande desafio para setor público, porque muitas vezes se torna o alvo preferido de muitos. Também a Secretaria de Recursos Hídricos do Governo Federal, tem sido desafiada a apresentar soluções, uma delas, o programa de redução de demandas em áreas críticas, lembrou Cristiano Zinato.
Em nossa apresentação defendemos a ideia de que não há ações simples e isoladas para se conseguir a tão desejada segurança hídrica e explicamos algumas das ações complementares que se implementadas garantirão me curto, médio e longo prazo a manutenção e expansão das diferentes atividades que precisam da água para se desenvolver.
Começando pela comunicação, com esclarecimentos, campanhas educativas e convencimento da sociedade, a manutenção por mais tempo a água na bacia de modo a recarregar o lençol freático e diminuir os extremos ou seja, a diferença entre a vazão máxima e mínima dos mananciais e para isso é urgente a recomposição das matas ciliares e proteção das nascentes, a construção de terraços e outras práticas conservacionistas que promovam a infiltração da água no solo em detrimento ao escoamento de base, combate à erosão e voçorocas, construção de barramentos, recuperação de mananciais degradados diminuindo a evapotranspiração elevada da proporcionada pela Typha, comumente chamada de tabôa.
Em relação aos equipamentos de irrigação deve-se melhorar a eficiência no uso da água com avaliação e verificação do sistema de irrigação eliminando vazamentos e fazendo a troca de bocais ou emissores quando desuniformes, adotar programa de manejo da irrigação (via atmosfera ou solo), com a escolha adequada dos coeficientes de cultura e estimativa da evapotranspiração, a irrigação noturna, substituições de sistemas de irrigação e a implantação de bons projetos de irrigação. Treinamento constante permitirá o uso adequados da informações climáticas provenientes de redes hidro-agrometeorológicas, que devem ser ampliadas. Foi ótimo participar e iniciativas desta natureza devem ser incentivadas. Este foi o tema do Pod Irrigar - o Pod Cast da Agricultura Irrigada desta semana. Ouça também os anteriores

Entrevista

Seminários e prova
Nesta semana aconteceram três seminários com os temas distribuídos, que complementaram as informações passadas pelo Professor. Em “Desenvolvimento da agricultura irrigada: o caso do Chile”. (nota 6,3) foi mostrado que investimentos em irrigação fizeram com que o Chile se tornasse grande exportador de frutos com alta qualidade, porém, com 1,8 milhões de hectares irrigados, o crescimento da área irrigada é limitado por estar muito próximo da sua área potencial de 2,5 milhões de hectares e a expansão sofre ainda limitação da qualidade e disponibilidade de água, com o seu maior rio, o Maule, dispondo de uma vazão de apenas 467 m³/s e extensão de apenas 240 km. Na apresentação do seminário "O método da aspersão: opções de emissores, fabricantes e suas aplicações" (nota 9,3) foi mostrado quais as opções no mercado, com os métodos e aplicações disponíveis para a irrigação de baixa e alta pressão e precipitação, escamoteáveis (paisagismo), pivô central e carretel enrolador. No Canal da Irrigação - Aba Atividades Acadêmicas há catálogos de algumas empresas para consulta. E fechando a manhã, em “Fabricantes de pivô central no Brasil: quem são e como atuam?” (nota 8,0) os alunos puderam conhecer detalhes dos equipamentos Bauer, Irrigabrás, Fockink, Lindsay-Zimmatic e Valmont-Valley, como atuam comercialmente as empresas e seus ramos de negócios. 
Á tarde realizamos a segunda prova testando os conhecimentos dos nossos alunos sobre os temas dos seminários apresentados, cálculo de perda de carga em linha lateral, importância e diferenciação entre áreas publicas e perímetros irrigados, disponibilidade de água em microbacias, lâmina de irrigação, escolha de emissores e sistema de filtragem. 

Combinando pesquisa, ensino e extensão
A Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira desenvolve trabalhos que unem a base de equipamentos e infraestrutura preparada para a pesquisa, com atividades de ensino e de extensão, que permite a otimização de recursos, formação de profissionais mais qualificados e ainda fornece a base referencial para o uso eficiente da água e o desenvolvimento de diferentes projetos que dependem ou são influenciados pelas condições climáticas. A Rede Agrometeorológica do Noroeste Paulista composta por oito estações agrometeorológicas automáticas instaladas entre as margens direita do rio Tietê e a esquerda do rio Grande foi implantada como a base necessária para a realização de pesquisas que combinam sensoriamento remoto (ou imagens de satélite) com dados obtidos por estações agrometeorológicas para estimar a evapotranspiração - a perda de água para a atmosfera - em escala regional, até então inexistente na região.

No entanto, os dados coletados pelas estações agrometeorológicas não ficam restritos a pesquisadores e são disponibilizados de forma livre e gratuita no canal CLIMA da UNESP Ilha Solteira em http://clima.feis.unesp.br a qualquer interessado. Dados livres, significa que o acesso aos dados pode ser feito diretamente pelo Internauta sem que haja a necessidade de contactar previamente alguém da UNESP e gratuito porque não paga pelos dados coletados e disponibilizados. Assim, alunos e pesquisadores podem ampliar suas pesquisas que dependem de informações climáticas e ainda em aulas, podem realizar exemplos com informações reais da região noroeste paulista, onde estamos inseridos. São disponibilizadas dados tanto em tempo real, como a base histórica, permite uma infinidade de aplicações, cada dia mais relevante face às mudanças climáticas e eventos extremos cada vez mais frequentes. E agora já estamos falando de outro componente do trabalho, que é o de extensão universitária. A infraestrutura permite que a UNESP receba a visita de alunos do ensino fundamental, médio e superior, que são instruídos de como os elementos do clima interferem no dia a dia e ainda, ao divulgar a evapotranspiração a intervalo de uma hora, permite que irrigantes tenham a possibilidade de realizar a aplicação de água pelos sistemas de irrigação de forma controlada, de modo a suprir apenas o que foi perdida para a atmosfera. Isso feito ele tem economia de água e de energia e ainda maiores lucros.

O canal CLIMA da UNESP Ilha Solteira é dividido em três núcleos básicos de busca e acesso: (A) é possível definir a estação agrometeorológica e acompanhar em gráficos e tabelas tudo o que acontece na região de interesse; (B) é permitido ao Internauta acessar toda a base histórica e ainda fazer comparações entre as variáveis climáticas e ainda cálculos no banco de dados obtendo valores extremos e ainda o (C) acesso aos produtos oferecidos, que são gráficos e mapas de acompanhamento em tempo real de todas as estações e as principais variáveis climáticas, tais como temperatura, umidade do ar, velocidade e direção do vento, chuva, evapotranspiração, pressão atmosférica e radiação global e líquida. E assim, as possibilidade de uso dos dados são imensas.

Ainda como atividade de extensão universitária é oferecida rotineiramente informações sobre o tempo e a agricultura irrigada também no Blog da Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira em http://irrigacao.blogspot.com. Também, em ação complementar, o canal de conteúdo está hospedado em http://www.agr.feis.unesp.br/irrigacao.php, o canal de video em http://www.youtube.com/fernando092 e ainda há a Fan page no Facebook. Fique ligado! Este foi o tema do Pod Irrigar - o Pod Cast da Agricultura Irrigada desta semana. Ouça também os anteriores.

Agenda - Próximas palestras


Agricultura irrigada, recursos hídricos e energia
CE: Seca no Nordeste prejudica produtores em áreas irrigadas e agricultores da região buscam métodos alternativos para amenizar efeitos da seca. O DIBAU - Distrito de Irrigação do Baixo-Acaraú, no Ceará, é um dos projetos irrigados afetados pela seca no Nordeste. Com o baixo nível do Açude Pereira de Miranda, os produtores de coco no perímetro irrigado Curu-Paraipaba, na região metropolitana de Fortaleza, estão mantendo 40% da atividade, registrando queda de 60%. O açude era a principal fonte de água para irrigação. Agora, a atividade depende dos poços que alguns produtores conseguiram cavar para manter os coqueiros.

GO: Barragens - Cristalina ganha destaque pelo uso correto da água na irrigação. Com pouco mais de 52 mil habitantes, o município vem ganhando notoriedade no cenário do agronegócio nacional pelo uso sustentável da água para irrigação agrícola, por meio da construção de barragens individuais e coletivas, tem sido exemplo para o Brasil e para a América Latina, principalmente porque há tempos seus produtores rurais despertaram para a possibilidade de, um dia, faltar água. E isso foi por volta do ano de 1986, quando nem se falava em crise hídrica no País. Quase três décadas se passaram e hoje cerca de 140 agricultores da região comemoram o fato de terem passado praticamente ilesos pelo problema da falta de água, que atingiu principalmente a região Sudeste do Brasil. São 52 mil hectares irrigados desta maneira, com algo em torno de 680 pivôs centrais em pleno funcionamento. As barragens mantêm os pivôs funcionando, o que garante o fluxo de água no sistema, que vai direto para o campo, favorecendo a pecuária e as mais de 40 culturas agrícolas do município, entre soja, milho, algodão, frutas, legumes e verduras variadas.

MG: Alto custo da energia elétrica muda rotina de agricultores em Minas Gerais. Culturas que consomem mais água foram substituídas para diminuir gastos e produtores estão pagando em média 56% a mais pela energia, diz Cemig.

PR: O potencial do leite na agricultura familiar é garantido pelos sistemas de irrigação. Na propriedade El Shaddai, no bairro Corredeira, do produtor Matias Binello Gassner, 42 anos, em Tomazina, o inverno não trouxe grandes prejuízos ao pasto, garantindo alimento e produtividade para as suas 20 vacas leiteiras das raças jersey e jersey-holanda, obtendo em média 12 litros/vaca. Há quase um ano ele conta com um sistema de irrigação em um dos nove hectares da sua propriedade que tornou possível driblar o inverno até agora. Além de plantar a variedade de grama Tifton 85, mais resistente, ele seguiu à risca as recomendações técnicas de fazer a sobressemeadura de aveia e azevém no pasto nos períodos mais frios, além de complementar com ração balanceada (incluindo silagem de milho e capim napier). Saiba mais...

Qualidade da água
AL: Qualidade da água será monitorada em bacias hidrográficas de Alagoas. Serão monitorados 22 pontos em diferentes bacias do estado como atividades do Programa Nacional de Avaliação das Águas.

RJ: Estudo que critica qualidade da água dos Jogos do Rio repercute no mundo. Chance de infecção de atletas é de 99%, dizem especialistas ouvidos pela AP. Publicação foi comentada na NBC, New York Times, BBC e The Guardian.

Economia

Curiosidades

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