Interrupção da Hidrovia Tietê-Paraná agrava a crise econômica e representa retrocesso

"(...) a despeito da situação excepcional de crise hidrológica por que passa o país, especialmente no ano de 2014 (em pleno período eleitoral), não foram implementadas, pelo governo, as medidas extraordinárias indispensáveis à manutenção do equilíbrio financeiro do contrato celebrado entre as partes" (Eletronorte). "Há grande desequilíbrio estrutural no setor... que atinge todos os agentes e produz efeitos nefastos" (Furnas).

Em nossas palestras desde o ano passado temos feito a analogia entre a crise hídrica de 2001 e a que se iniciou em 2014, que se configurou como a mais grave vivenciada pela maioria da população brasileira atual.
Em comum, apenas o período eleitoral, em que era o desejo de ambos os Presidentes fazerem o seu sucessor. Fernando Henrique não logrou êxito. Lula sim! Mas a conta está sendo cara demais para a população e ainda o será mais intensa, sem previsão de quando e como a economia e a água em abundância voltem à normalidade.
Pois bem, em 2001, tivemos uma crise por água para a geração de energia e não houve nenhuma cidade que registrasse insegurança hídrica para a população. Também, o então Presidente FHC sabiamente foi à televisão e reconheceu a crise hídrica, nomeou Pedro Parente como Gestor da crise e houve transparência nas ações, incluindo a exigência de planos de contingenciamento elaborados pelos diferentes atores, incluindo as hidrelétricas.
No tocante à Hidrovia Tietê-Paraná - que depende do armazenamento de água dos rios Tietê e Paraná nas Usinas de Ilha Solteira e Três Irmãos, ligadas pelo Canal de Pereira Barreto, esta foi mantida em operação na medida que o nível dos rios tiveram seu mínimo na cota 323,72 metros e os reservatórios em 13,26% da capacidade. E desta crise, uma das lições foi a implantação de um parque de usinas termoelétricas que garantiriam, mesmo a custos mais elevados, a segurança energética.



Em 1 de janeiro de 2014 o rio Paraná se encontrava na cota 326,03 metros, portanto, ainda mais de três metros acima do nível mínimo de operação da Hidrovia Tietê-Paraná, que garante o transporte de grãos do Centro-Oeste para o porto ao menor custo de transporte. E a maior das crise veio, regime de chuvas atípico, falta de gestão dos recursos hídricos e as consequências foram sentidas em todos os setores, desde a geração de energia até para servir à população e à indústria, em maio do ano passado o retardamento da entrada da operação das térmicas fez com a água dos rios Tietê e Paraná fosse usada para gerar energia e eis que um projeto estratégico para o país, chamado hidrovia, entra em interrupção total. E o fundo poço aconteceria em 5 de março de 2015, com o nível da água na cota 318,73 metros, ou com os reservatórios ainda operando com -59,14% abaixo do nível mínimo para operação da hidrovia.


No momento em que estamos há pouco mais de dois metros de voltar a operação da Hidrovia, vem a público as críticas das Estatais Furnas e Eletronorte reconhecendo que a decisão política suplantou a técnica e a estratégica para o país e escrevem: "a despeito da situação excepcional de crise hidrológica por que passa o país, especialmente no ano 2014 (ano eleitoral), não foram implementadas pelo governo, as medidas indispensáveis à manutenção do equilíbrio financeiro". E a conta é de apenas R$ 20 bilhões somente no setor elétrico. Fora os demais setores que ainda apresentarão suas contas. Lamentável! Sobre como os irrigantes foram afetados, será tema de outra edição do [Pod Irrigar].


Este foi o tema do Pod Irrigar - o Pod Cast da Agricultura Irrigada da semana que passou. Ouça também os anteriores.

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