Aula ONZE - Recursos hídricos e sua qualidade



Monitoria em Irrigação e Drenagem
Anote aí e se prepare para essa oportunidade: Haverá seleção para Monitor da disciplina de Irrigação e Drenagem no próximo semestre. Acontecerá em 29 de março de 2016, às 14 horas no Laboratório de Hidráulica e Irrigação. Período de inscrições: 15 a 19/02/2016. Aguarde a divulgação do Edital de Seleção que acontecerá em 12/02/2016. Conheça as nossas atividades acadêmicas!

Pod Irrigar - Mercado para a agricultura irrigada
Na primeira edição do [Pod Irrigar] - o Pod Cast da Agricultura Irrigada - convidamos o Engenheiro Agrícola Antônio Alfredo Teixeira Mendes - Diretor da NaanDanJain - para fazer a sua avaliação sobre o que se espera de 2016 em relação à expansão da agricultura irrigada e a comercialização dos sistemas de irrigação, que pode sofrer retração, mais uma vez. Entenda porque!

Pod Irrigar - Chuva acima da média história no noroeste paulista
Esta semana dois temas estiveram presentes nos meios de comunicação: chuvas e seus efeitos e o nível dos reservatórios das hidrelétricas e aqui no noroeste paulista mantemos a expectativa pelo retorno das operações da Hidrovia Tietê-Paraná.
Todo o sudeste e sul sentiram o pesado efeito das chuvas intensas e volumosas, que romperam estradas, inundaram casas e provocaram perdas na agricultura. Por aqui no noroeste paulista registramos chuvas em todos os dias do ano até este momento. Em 2015 na região esperávamos em média 1239 mm e registramos 20%, a mais, com 1482 mm. Em janeiro, esperamos 209 mm e já registramos 146 mm, ou seja, em 13 dias, 70% do esperado.



Valparaiso - SP em 15 de janeiro de 2016.

Mas a situação de chuvas não é a mesma pelo Brasil a dentro. Nos reservatórios das hidrelétricas, o nordeste tem apenas 5,4% da sua capacidade de armazenamento, o Sudeste/Centro-Oeste 32,9%, o Norte 15,77% e a região Sul está com 95,88%. Enquanto Sobradinho agoniza com 2%, as usinas do Paranapanema vertem água e também assim o fazem 7 hidrelétricas do Rio Tietê (Avanhadava em 14/01/2016 teve vazão defluente de 5660 m3/s e desta estavam sendo vertidos 4372 m3/s) e tiraram Três Irmãos do volume morto depois de 551 dias e hoje já conta com 15,4% do seu volume útil. O reservatório de Ilha Solteira no rio Paraná rompeu a cota 323 mm depois de 575 dias nesta sexta-feira (15/01/2016) e recebe água dos rios Paranaíba e Grande e ainda do rio Tietê através do Canal de Pereira Barreto, que teve a diferença de nível entre estes rios ampliadas dos 1,36 metros na quinta-feira para mais de 2 metros (em 14/01/2016 Três Irmãos tinha cota de 324,54 metros) e a situação mais crítica para este sistema aconteceu em 05 de março de 2015 quando estes reservatórios estiveram com 59% da sua capacidade de armazenamento abaixo da cota 323 metros.
E por aqui no noroeste paulista, todos se perguntam quando veremos o rio Paraná cheio novamente e a resposta não é nada simples, pois depende da combinação de chuvas no Centro-Oeste e em Minas Gerais e com isso a elevação do nível da água dos reservatórios e também de quanto a vai ser gerado de energia a partir do sistema Ilha Solteira / Três Irmãos! Vamos aguardar! Esse foi o tema que desenvolvemos esta semana no Pod Irrigar - o Pod Cast da Agricultura Irrigada desta semana. Ouça também os anteriores.

Aulas
Estivemos na Microbacia do Cinturão Verde de Ilha Solteira e abordamos planejamento dos recursos hídricos considerando a microbacia como unidade de gestão, a qualidade e disponibilidade da água para irrigação. As aulas são sempre no mesmo lugar e com isso, a partir do registro fotográfico é possível verificar as transformações que o manancial passa a cada semestre, "sentindo" os efeitos das chuvas sobre o córrego e o seu entorno. A erosão tem aumentado e a calha do córrego está se aprofundando e as condições para a realização da prática de hidrometria já não são as melhores, ou seja, deveríamos procurar um trecho mais uniforme para que a vazão seja determinada com mais representatividade. Por outro lado, a realização da prática no local expõe todas as dificuldades e erros que podem ocorrer em uma medição de vazão, que se bem entendidas pelos alunos se constituem em um grande aprendizado, incluindo a discussão sobre o reservatório escavado tomado de Egeria densa (Elodea - 1, 2, 3. 4, 5, 6), um dos maiores problemas ambientais que afeta a operação da Usina Hidrelétrica de Jupiá (e também reservatórios em vários países) e base para várias pesquisas sobre o seu controle e ainda o completo assoreamento da represa, este tomado de taboa (Typha sp, 1, 2, 3), considerada espécie problema e indicador de degradação ambiental, proveniente de erosão e assoreamento. Discutimos os problemas decorrentes da ausência de conservação do solo, erosão assoreamento e como isso afeta a qualidade da água que pode ser classificada por fatores físicos, químicos e biológicos. As aulas deste semestre e dos demais são registradas e ganham uma página especial na aba "Atividades Acadêmicas" do canal de conteúdo da Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira.

 Aula prática dos alunos de Agronomia da UNESP Ilha Solteira no  dia 11 de janeiro de 2016.






Molinete hidrométrico utilizado na aula prática.

Em campo complementaremos a teoria - das condições globais dos recursos hídricos às condições locais - e lembramos uma ferramenta poderosa e gratuita que é o software ILWIS para delimitação de bacias hidrográficas, informação necessária para a obtenção da vazão regionalizada, como alternativa para a obtenção da área da bacia hidrográfica, e depois a realização da Outorga do Uso da Água. Já sabemos a diferença entre Q7,10, Q1,10 e Q95, mas usaremos sempre o SIGRH, que é um portal de acesso às bases de consultas, comunicações e conhecimento acumulado, voltado para a comunidade de gerenciamento de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo. Se o aluno desejar conhecer a fundo a teoria que envolve a regionalização de vazão a leitura pode ser feita na publicação "DAEE. Manual de cálculos das vazões máximas, médias e mínimas nas bacias hidrográficas do Estado de São Paulo. São Paulo, 1994, 64p." Em Ilustrações utilizadas em aulas, há alguns tutoriais sobre o ILWIS que será a base das aulas. Confira! Há também uma postagem específica neste Blog sobre a aplicação do software ILWIS na agricultura irrigada.

As aulas dos semestres anteriores podem ser visualizadas a partir do canal "Atividades Acadêmicas" do Canal da Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira. Videos destas aulas podem ser vistos no Canal da AHI no YouTube. Esperamos que os alunos aprendam e se motivem ainda mais.

Represa assoreada na microbacia do Cinturão Verde e totalmente tomada por Typha sp (tabôa).

Sistemas de irrigação
Demos inicio aos projetos de irrigação por aspersão. Em aulas anteriores revisamos os conceitos envolvidos com o uso das equações de perda de carga e treinamos a Universal e a de Hazen-Williams. Como não há novidades a serem ensinadas, fizemos apenas uma abordagem geral e foi solicitado aos alunos que relembrem os conteúdos de Hidráulica Agrícola relativos à Golpe de Ariete, escolha de mobo-bomba e NPSH. Já em relação ao dimensionamento da linha lateral vimos - como critério de projeto - que devemos escolher um diâmetro cuja perda de carga não passe de 20% da pressão de serviço do emissor escolhido.

Que saber mais sobre projetos assistindo uma vídeo-aula sobre pré-requisitos básicos para projetos de rrrigação!

Agricultura - Safra - Grãos - Café - Investimentos
IBGE confirma safra recorde de grãos em 2015 com a produção de 209,5 milhões de toneladas e espera alta de 0,5% para 2016. A estimativa da área a ser colhida é de 57,7 milhões de hectares, com alta de 1,8% frente à área colhida em 2014 (56,7 milhões de hectares). As três principais commodities - arroz, milho e soja - representaram 93,1% da estimativa da produção e responderam por 86,3% da área a ser colhida. Apenas o Estado do Mato Grosso foi responsável por 25% da produção brasileira de grãos. "Mato Grosso liderou como maior produtor nacional de grãos, com uma participação de 24,9%, seguido pelo Paraná (18,0%) e Rio Grande do Sul (15,2%), que somados representaram 58,1% do total nacional previsto", divulgou o IBGE. Conforme o Instituto, a safra nacional de grãos deve crescer 0,5% e chegar a 210,7 milhões de toneladas em 2016. A produção de soja deve chegar a 102,7 milhões de toneladas, superando a safra de 2015 em 5,9%. Esta alta na produção é resultado da valorização da soja no mercado interno. Líder na produção do grão, Mato Grosso reservou 9,2 milhões de hectares para cultivo de soja, com rendimento médio em 3.106 kg/ha. A produção mato-grossense deve ficar em torno de 28,5 milhões de toneladas, 2,5% maior que a de 2015. Já a CONAB estima a safra brasileira de grãos 2015/16 em 210,5 milhões de toneladas. Em dezembro, o órgão havia estimado safra de 211 milhões. Soja Com a forte seca que ocorreu no Estado no mês passado, a Conab diminuiu em 1 milhão a produção de soja de Mato Grosso. Agora são 28,3 milhões de toneladas. A estimativa para o país indica 102,1 milhões de toneladas.

Exportações do agronegócio caem em 2015 e ficam em US$ 88,2 bilhões. A balança comercial do agronegócio encerrou 2015 com US$ 88,2 bilhões em exportações. O montante caiu 8,8% em relação aos US$ 96,7 bilhões exportados no ano passado. A redução deve-se à queda dos preços das principais commodities (produtos básicos com cotação internacional) agrícolas vendidas pelo Brasil, tais como soja e carne. Apesar da queda no valor exportado, a participação dos produtos do agronegócio na balança brasileira, de 46,2%, foi a maior registrada pelo Ministério da Agricultura. Em 2014, a participação agrícola na pauta de exportações havia ficado em 43%. A balança comercial agrícola encerrou o ano passado com superávit (exportações maiores que importações) de US$ 75,1 bilhões, 6,24% inferior aos US$ 80,1 bilhões registrados em 2014. Do lado das importações, o agronegócio adquiriu US$ 13 bilhões em produtos no exterior, o que representou queda de 21,3% em relação aos U$ 16,6 bilhões em compras externas em 2014.

Café: Brasil perde espaço nas exportações de café torrado. As exportações de café verde vão bem e voltam a atingir 33 milhões de sacas, mas as de produto processado desabam. A agregação de valor, tão buscada por parte do setor, fica cada vez mais distante, informa Mauro Zafalon. As exportações de café torrado caíram para US$ 10,1 milhões no ano passado, 72% menos do que em 2008. Naquele ano, o país acreditava que estava acertando o caminho do mercado externo, com constante crescimento no setor. O cenário mudou. E, além de forte redução nas exportações, as importações de café torrado dispararam. No ano passado, o Brasil gastou US$ 67 milhões com as importações desse produto, 40% mais do que em 2014. As importações de máquinas para o preparo de café somaram US$ 92,4 milhões em 2015, 22% mais que em igual período do ano anterior. Já as exportações dessas máquinas, apesar do câmbio favorável, recuaram para US$ 159 mil, queda de 84%. Com relação às importações brasileiras, a Suíça se mantém líder, ao exportar US$ 35,9 milhões. O valor representa 54% do gasto brasileiro com as importações. Nesta direção, pesquisa realizada anualmente pela Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) indica que o mercado de cafés especiais deve triplicar até 2019 no Brasil e a maioria das vendas em 2015-2019 ainda será gerada pelo produto em grãos e pelo café moído, porém, com maior atenção aos gourmetizados e aos especiais de qualidade que são vistos como sinais de status. No entanto, as cápsulas, que são uma categoria em forte ascensão, terão as maiores taxas de crescimento global. Lançamentos inovadores em sabores e preços serão drivers da categoria, segundo a pesquisa. Entre 2014 e 2019, o mercado brasileiro de café deverá crescer 7,7%, devido a ascensão das cápsulas, e gerar uma receita de R$ 20 bilhões.

"Horizonte das máquinas" é a reportagem de Mauro Zafalon que analisa a necessidade investimentos em práticas que levem a eficiência no campo e como o setor faz o planejamento de longo prazo. O cenário do agronegócio no Brasil será complicado em 2016, mas ainda muito melhor do que o de setores como a indústria, a construção civil e tantos mais. Em outra matéria, "Caminho sem volta", o milho, antes "patinho feio" destinado ao mercado interno, se consolida como produto importante nas exportações do país. O Brasil exportou o recorde de 29 milhões de toneladas de milho no ano passado. Há dez anos, apenas 1 milhão de toneladas, conforme os dados divulgados no dia 07/01/2016 pelo Ministério do Desenvolvimento. Estimativas indicam que o país poderá produzir acima de 100 milhões de toneladas de milho nos próximos anos. Consolidação de mercados externos e regularidade nas exportações farão o país encostar nos Estados Unidos, que exportam 45 milhões de toneladas. Confira como aconteceu esta mudança.


Recursos hídricos - agricultura irrigada
Desenvolver a resiliência necessária para conviver com os extremos tem sido uma preocupação de muitos. Temos defendido ações nesta direção, como por exemplo a capacitação necessária para o entendimento da agricultura irrigada e todos os fatores envolvidos. Um deles é a necessidade da reservação da água e a manutenção da água por tempo na bacia hidrográfica. "Tão quente, tão úmido, tão seco: construindo a resiliência dos agro-sistemas" é um dos artigos que pulicamos.

Esta semana, em todo o Estado de São Paulo, é a vez do excesso de água agora ganhar destaque nos meios de comunicação, nas redes sociais e nos aplicativos de comunicação - e memes proliferam - pois os rios estão em vazões muito acima da média e a bacia do rio Tietê ganha destaque porque corta todo o Estado. Piracicaba, Barra Bonita, Avanhandava (video), Catiguá, Araçatuba, Catanduva são exemplos de cidades que estiveram na grande mídia e até jacarés aparecerem e viraram notícias. O mesmo acontece com o rio Paranapanema, que divide São Paulo do Paraná. E no noroeste paulista não foi diferente e o tema água esteve mais uma vez presente nos noticiários, agora pelo excesso (A, B).




Memes criados a partir das chuvas excessivas desta semana.


E o nível do Rio Piracicaba - que sofreu intensamente a crise hídrica - sobe e entra em situação de emergência, subindo 4,04 metros no fim da tarde do dia 12/01/2016, chegando a noite a atingir 4,23 metros, com vazão de 473 m3/segundo e invadiu as calçadas da rua do Porto, um marco turístico e orgulho do piracicabano. Enquanto isso, em um mês, volume das represas do Alto Tietê sobe 44%Em 12 de dezembro, índice estava em 18,7% e agora é de 27%.


Videos sobre as chuvas
Vertedores abertos produzem imagens impressionantes e expõe uma preocupação: a cor da água no rio Paranapanema (Usina de Rosana) mostra o quanto temos de passivo em conservação do solo para investirmos.


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