Aula TRÊS - Conhecendo o mundo da agricultura irrigada

"Segurar a água na bacia hidrográfica, projetar e instalar equipamentos adequados e aplicar água no momento e na quantidade necessária, são ações complementares que farão com que se tenha segurança hídrica á agricultura irrigada!" (Fernando Braz Tangerino Hernandez, Revista Irrigazine, março de 2016, p.26-27).

[Pod Irrigar] - Definindo irrigação, agricultura irrigada e a sua importância
Em todas as oportunidades que podemos, falamos da agricultura irrigada e seus efeitos multiplicadores. Preferimos usar agricultura irrigada ao invés de irrigação, porque entendemos que muitos ainda não se dão conta da importância da segurança hídrica no desenvolvimentos das atividades econômicas, sociais e ambientais e deixamos o termo irrigação apenas quando nos referimos ao método ou aos sistemas de irrigação propriamente ditos. Então, neste contexto mais abrangente, será que todos saberiam definir corretamente o que é irrigação?
Na definição clássica, irrigação é a técnica de aplicação artificial de água utilizada para repor a água consumida pelas plantas e perdida para a atmosfera no processo de transpiração das folhas e evaporação do solo, a chamada evapotranspiração. Todavia, a irrigação não pode e não deve ser mais entendida, única e exclusivamente, como um procedimento artificial para atender às condições de umidade de solo visando à melhoria da produção agrícola, tanto em quantidade como em qualidade ou oportunidade. 
Na realidade, ela constitui um conjunto de operações (compondo em si um sistema) necessário ao atendimento das necessidades de água das plantas, bem como eliminar seus excessos, que transcendem à relação solo-água-planta-atmosfera, pura e simplesmente. Agrega-se, aí, o clima, o homem, além de outros campos do conhecimento da humanidade com grande abrangência. A ciência e a arte da irrigação, são abrangentes e interdisciplinares, passando pelo campo das ciências agrárias, das exatas (engenharia hidráulica, civil, elétrica, etc.), sociais (economia, sociologia, política, etc), mas nenhuma delas é mais importante que a outra, pois quando da decisão final quanto ao uso da água, todos esses fatores conjuntamente têm que ser levados em conta. 
Mostramos sempre o potencial das nossas terras férteis para a agricultura irrigada, mas também usamos o exemplo da transformação de uma área de dunas em campo de golf evidenciando a necessidade de juntarmos conhecimentos de todas as áreas do campo agronômico com a irrigação e assim, comprovarmos sucesso no nosso negócio. 
Assim, são tantas as possibilidades que se tem com o uso de sistemas de irrigação que a definição clássica é simplista demais pelo que ela pode oferecer. Melhor seria definir irrigação como um conjunto de ações e conhecimento eclético que pode levar o irrigante a concretizar maiores produtividades e auferir maiores lucros. Lembre-se então sempre: a irrigação na agricultura deve ser entendida não somente como um seguro contra secas ou veranicos, mas como uma técnica que dê condições para que o material genético expresse em campo todo o seu potencial produtivo, enquanto que nas cidades podemos colher conforto térmico e visual, Bem vindos ao mundo da irrigação!

Aulas
Trabalhamos a definição de irrigação e da agricultura irrigada mostrando que somente a água aplicada pelos sistemas de irrigação não garante o sucesso do empreendimento, necessitando utilizar todo o conhecimento multidisciplinar ensinado. Aproveitamos também o tema da aula na edição do dia 07 de abril de 2016 do [Pod Irrigar], o Podcast da Agricultura Irrigada.


Ainda sobre a a história da irrigação e dos rios que foram e ainda são importantes para as diferente civilizações, a TV Brasil apresentou uma série interessante chamada de "Os Rios e a Vida" (Rivers and life) em que episódios retratam seis dos principais rios do globo: Amazonas, Ganges (A), Mississipi (3500 km de extensão), Nilo, Reno (que uniu e dividiu o povo europeu) e Yang Tze (com mais de 6000 km na China, onde foi construida a barragem de Três Gargantas). Por meio de uma viagem ao longo desses cursos d’água, imagens, sons e textos vão desvendando as características naturais, importantes obras de intervenção, as principais cidades e os modos de vida dos ribeirinhos, enfatizando os riscos ambientais decorrentes das formas de uso e ocupação desses rios e de suas margens, em uma ferramenta pedagógica multidisciplinar que aborda, de forma integrada, aspectos históricos, econômicos, políticos, sociais e ambientais que envolvem a complexa questão dos recursos hídricos. Em 10 de abril de 2016, foi apresentado o episódio relativo rio Nilo em que a construção da Barragem de na Etiópia, que pode dar um importante rumo à economia deste país, é carregada de conflitos com o Egito, à juzante. Esse vídeo mostra as características principais do Rio Nilo, a sua influência sobre o povo que habita às suas margens, em toda a sua extensão, apresenta a cultura local e discute os riscos sócio-ambientais do mesmo. O Nilo é considerado a força vital da civilização egípcia, e, apesar de ter vários países às suas margens, o Egito tem a posse da maior parte das águas devido a um acordo colonial realizado em 1929. No documentário se destaca a importância da Barragem de Assuã (Aswan) (A) e Nasser (A) no Egito, Lago Tana que é a fonte do Nilo Azul e também o maior lago da Etiópia. O Nilo Azul é um rio localizado na região nordeste da África e possui aproximadamente 1370 km de comprimento e para chegar ao Egito passa antes pelo Sudão, que possui uma usina hidrelétrica e é fonte de água para irrigação e se unirá ao Nilo Branco em Cartum, formando então o rio Nilo, em uma região com grandes áreas irrigadas. Outro documentário sobre o Nilo chama-se "El Río Nilo, el granero del mundo antiguo"

Explicamos com uma seca afeta diferentes regiões e a diferença entre a seca do nordeste e a do Rio Grande do Sul e também ampliamos o debate sobre as consequências da falta de água. Várias matérias ilustram a situação. Compilamos notícias de 2014 sobre a falta da chuva e as suas consequências e o Jornal Nacional ilustra tudo na reportagem "Seca no Piauí provoca aumento no número de retirantes - Nos últimos cinco anos, mais de 140 mil pessoas deixaram o estado em busca de trabalho e melhores condições de vida." E também falamos sobre o tema no [Pod Irrigar] de 08/08/2013 e voltamos a tema seca em várias edições em 2014, incluindo as produtividades baixas obtidas na cultura da cana e ainda em relação à cana, a situação de produtividades decrescentes pode ser conhecida em nossa palestra no encontro sobre Clima e Irrigação em Cana realizado na UNESP Ilha Solteira. Combinação melhor não poderia existir para o aprendizado consistente! Mostramos que um dos grandes desafios é conviver com extremos, ou seja, seca e chuva excessiva, e muito ainda temos que fazer, tanto nas pesquisa, como na comunicação e ensino de como trabalhar sobre esta condições. Sobre o tema escrevemos o artigo "Tão quente, tão úmido, tão seco: construindo a resiliência dos agro-sistemas". Mas a agricultura irrigada muda vidas no nordeste com geração de emprego e renda, veja como! Mas se a irrigação é a solução para a produção de alimentos sem depender das chuvas, no artigo "Segurança hídrica se atinge armazenando e usando adequadamente a água", publicado na Revista Irrigazine - Edição de março de 2016, reafirma o nosso pensamento em relação à segurança hídrica, uma questão antes de tudo de conscientização, sem matéria prima - a água - não há irrigação, que é a solução! E sobre a divulgação de temas técnicos ligados ao meio rural, não deixe de conferir o artigo "A Comunicação adequada".

Numa abordagem mais ampla, discutimos se “O clima define o rumo de um país?” ou ainda a posição de FEMIA e WERRELL (The Center for Climate e Security) em que “Tensões sobre terra, água e alimentos provam que levantes democráticos não têm só raiz política, mas também ambiental” e ainda as questões e previsões divulgadas pelo IPCC. O problema de compatibilizar seca e chuva, muitas vezes na mesma região encabeça a argumentação do "Por que Irrigar?" que tem sequência com a discussão de dados de evapotranspiração e chuva no noroeste paulista, onde vivemos, sugestões de leitura são reforçadas: Importância da irrigação no desenvolvimento do Agronegócio e Agricultura irrigada. Detalhamos estas questões sobre os efeitos de um clima adverso na postagem relativa à Aula Dois, com os atuais trabalhos publicados sobre condições extremas. O tema é amplo e controverso, mas sobre mudanças climáticas alguns autores de destaque são Richards (1993), Karl et al. (1999), Manton et al. (2001), Alexander et al. (2006), Vincent et al. (2005), Dufek and Ambrizzi (2006), Wang et al. (2004), Kharin and Zwiers (2005), Hayes et al. (2011), IPCC (2007) e mais recentemente indícios de alteração do clima global foram descritos por DURACK (2012) para quem “mudança climática acelera ciclo da chuva e velocidade da evaporação e precipitação pode ficar até 24% maior até o fim deste século”. Baseado na alteração da salinidade dos mares nesses últimos 50 anos (processo se acentuou a partir de 2000) afirma que “os ricos ficam mais ricos”. Ou seja, terras secas receberão menos chuvas, enquanto que regiões úmidas ganham tempestades cada vez mais intensas. No Brasil DUFEK e AMBRIZZI (2007) detectaram aumento no número de dias secos consecutivos e utilizando séries do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE, 1950-1999) dizem que essa alteração nos padrões climáticos começou a partir de 1985. BLAIN (2011, 2012) descreve um atraso na retomada da estação chuvosa em diferentes localidades do Estado de São Paulo e o início desse atraso ocorreu a partir de 1983/84. A AHI fez análises superficiais com os dados que dispomos e não chegamos a conclusão se se trata de fenômeno cíclico ou uma real alteração no regime de chuvas, mas como compatibilizar seca e chuva intensas é um dos grandes desafios atuais. Mas é fato que o monitoramento climático é necessário e deve ser ampliado para todas as regiões. Especificamente para a agropecuária a melhor forma de conviver com a falta das chuvas é investir em sistemas de irrigação que farão a oferta da água no momento certo e quantidade adequada para garantir as elevadas e necessárias produtividades e que farão com que o lucro seja a força motriz do desenvolvimento sócio-econômico de toda uma região, através dos efeitos multiplicadores da agricultura irrigada. Mas o importante não é somente adquirir equipamentos de irrigação e sim planejar esta aquisição levando em consideração todos os aspectos locais de solo, clima, disponibilidade e qualidade da água e ainda das culturas que se pretende cultivar. A consulta à um profissional experiente também é fundamental para que o investimento seja efetivo.


Usamos intensamente nossos canais de comunicação baseados na Internet, mas de forma complementar, pois os livros textos são essenciais. O Manual de Irrigação é o mais tradicional e servirá ao longo de todo o curso, fiquem atentos apenas nas representações que utilizamos, que muitas diferem dos autores acima, mas tem o mesmo significado. Uma lista com artigos interessantes para ser lidos foi disponibilizada na postagem da semana passada. Leiam sem moderação! No canal TEXTOS TÉCNICOS do Canal da Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira estão disponíveis a maior parte dos artigos técnicos e os assinados sobre estes temas desenvolvidos pela Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira

Água Disponível no Solo brasileiro
Também conversamos sobre o planejamento dos recursos hídricos e lembramos os conceitos de Física dos Solos. Na imagem a seguir temos três conceitos inseridos e que todos os profissionais da agricultura devem conhecer: Por que Irrigar, Onde Irrigar e Armazenamento de Água no Solo, ou o balanço hídrico. Comecemos pelo terceiro conceito. No mapa, em vermelho representa o déficit de água no solo. Em um perfil de solo, a quantidade de água ideal de armazenamento é aquela representada pela diferença entre a umidade na capacidade de campo e a no ponto de murchamento permanente, multiplicada pela profundidade efetiva do sistema radicular. À isso chamamos de CAD - Capacidade de Água Disponível. A AD - Água Disponível no Solo (capacidade hídrica do solo, como na figura) é a diferença entre a umidade atual e a umidade no ponto de murchamento permanente, multiplicada pela profundidade efetiva do sistema radicular. Podemos exprimir esta relação em milímetros, mas também em porcentagem e para tanto a AD (%) = (AD/CAD) x 100. É o que se visualiza no gráfico abaixo, com grande parte do solo brasileiro "pedindo" água da chuva ou da irrigação. Os valores da umidade na capacidade de campo e ponto de murchamento permanente são obtidos na curva de retenção de água no solo e variam de acordo com a textura (granulometria) e compactação do solo (densidade aparente). E a umidade volumétrica (cm3/cm3) se obtém multiplicando a umidade gravimétrica (g/g) pela densidade aparente do solo (g/cm3). De maneira geral, os Argisolos presentes no Noroeste Paulista tem CAD  média de 1 mm/cm de solo.



Água e alimentos para todos - Sustentabilidade - Segurança e recursos hídricos


Tempo e evapotranspiração no noroeste paulista
O Noroeste Paulista enfrenta desde 16 dias sem chuvas em Pereira Barreto, Ilha Solteira e Sud Mennucci, à 30 dias sem chuvas em Paranapuã e 26 dias em Populina e Marinópolis. Neste domingo foi mais um dia muito quente, com a temperatura batendo nos 38,6ºC em Sud Mennucci, a mais alta da região e do ano, como mostram os dados do Canal CLIMA da UNESP Ilha Solteira, proveniente da Rede Agrometeorológica do Noroeste Paulista, operada pela Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira.
A evapotranspiração média no período de 03 a 10 de abril de 2016 variou entre 3,3 mm/dia em Sud Mennucci e 4,8 mm/dia em Pereira Barreto (Estação Santo Adélia), que teve no dia 5 de abril o maior registro da região, ficando em 5,4 mm/dia. A evapotranspiração é o valor da perda da água pela atmosfera que, para máxima produtividade, deve ser reposta pelas chuvas ou pela irrigação.

Agricultura irrigada
Cada vez mais há que se adaptar à variação do nível de água e assim, nova captação de água do Perímetro de Itiúba em Alagoas acompanha nível do rio São Francisco. Veja a nova estrutura!

A Codevasf investe R$ 4,6 milhões em drenagem no Perímetro de Irrigação Salitre - Juazeiro - BA e 26a. Feira Nacional da Agricultura Irrigada é lançada em Petrolina - PE e será realizada entre os dias 25 e 28 de maio de 2016 e deverá reunir empresários e agricultores familiares.

Carneiro hidráulico
O invento criado no século XVIII se espalhou pelo mundo e até hoje é considerado revolucionário porque vence a lei da gravidade ao bombear a água de um lugar baixo para outro mais alto, sem qualquer ajuda do homem. Não gasta energia nem combustível, tem baixo custo de construção e é ideal para pequenas propriedades. Entenda como funciona!

Culturas
Pesquisa da Embrapa avalia viabilidade e simula desempenho do sistema ILPF - Integração Lavoura-Pecuária-Floresta em trabalho que busca fornecer aos produtores uma ferramenta em que possam simular o desempenho de sistemas integrados.

Mauro Zafalon relata que a produção norte-americana de suco de laranja caiu 60% nos últimos 15 anos. O que poderia ser motivo de euforia para a indústria brasileira, a líder mundial, traz, na verdade, muita preocupação. Se o Brasil é o maior produtor de sucos, os Estados Unidos são os principais consumidores. A desestruturação do setor naquele país encarece a produção, eleva os preços e reduz o consumo. É o que ocorreu. Nesse mesmo período, os preços do suco subiram 40%, derrubando o consumo em 45%. O volume anual de suco de laranja saiu de 1.051 mil toneladas em 2.000 para 423 mil toneladas em 2.015.

Política - Economia
Gosto muito dos textos do Filósofo Hélio Schwartsman pela sua capacidade de correlacionar os acontecimento cotidianos com o que a ciência explica. Não foi diferente com "Deputados e anchovas" em que começa perguntando "O que há em comum entre deputados brasileiros às vésperas de uma votação de impeachment e anchovas nadando no mar?", responde em seguida que O comportamento de ambos tem origem naquilo que o biólogo evolucionista inglês W.D. Hamilton, num clássico "paper" de 1971, chamou de "manada egoísta" e termina profetizando que "...Em um dado momento crítico (a guinada do cardume de anchovas), todos correrão para tentar ocupar a posição mais vantajosa e o bando se moverá em conjunto, seja para salvar a presidente, seja para fritá-la. O placar dificilmente será apertado, já que todos buscarão o centro da manada". À conferir!

Carreira - Entretenimento - Voluntariado
A carreira de Jornalista é feita de muito suor, disciplina, dedicação e renúncias. Horário na maioria das vezes não é flexível, se há um evento, haverá o Jornalista cumprindo sua missão. Também há muito o que aprender dia após dia especialmente em lidar com pessoas e especialmente tirar as informações delas. Caco Barcellos é um Jornalista experiente que empresta seu conhecimento tácito aos Jornalistas iniciantes há dez anos no programa "Profissão Repórter", que agora vira livro, relatando o trabalho produzido muitas vezes em vários pontos um tanto escondidos no Brasil e no exterior. Define como esforço intelectual somado a esforço físico de verdade. Gosto disso! Assim que se aprende! Assim que se valoriza as próprias competências. "Acho que o programa é isso mesmo, ralação. É o que diferencia a reportagem de outros gêneros do jornalismo. O que não quer dizer que tudo não possa ser árduo, dá muito trabalho um jornalismo de reflexão. Mas na reportagem a ralação tem que ser física mesmo, é necessário ir para a rua", diz Barcellos. Fica a dica: "Profissão Repórter 10 anos: grandes aventuras, grandes coberturas", Caco Barcellos e equipe, Editora Planeta, R$ 49,90 (384 págs.) ou edição com dois DVDs por R$ 69,90.


Conheça cinco Universidades onde você pode transformar o seu gosto por cerveja em uma carreira. Sim, é possível!

Já foi Escoteiro? Pensou em ser Escoteiro ou Escotista? E resiliência, sabe o que é? É um termo que vem da física. Um objeto resiliente é aquele que resiste a pressão ou a um impacto e recupera seu estado original, por exemplo, como um elástico. Fica a dica de leitura de "Resiliência: A indubitável competência do voluntário Escoteiro".

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