Armazenamento, Beneficiamento e Logística de Transporte


Nestas aulas de Armazenamento e Beneficiamento de Grãos procuramos levar ao entendimento da história e importância da agricultura brasileira, nossa infra estrutura e suas deficiências de modo a dar clareza do que não se pode, nem se deve aceitar com tranquilidade no nosso dia a dia. Ineficiência sempre afeta direta ou indiretamente um número maior de pessoas do que imaginamos. Assim, resgatamos algumas notícias passadas mostrando que nem sempre o que se diz, se concretiza e devemos estar preparados para todas as situações. "Resgatando a história" ao final desta postagem traz algumas das notícias na imprensa que não se confirmaram. As ilustrações utilizadas em aula estão disponíveis AQUI! Confiram também os demais textos presentes neste Blog, classificados pelo marcador "Armazenamento".

Segurança alimentar
Sobre as políticas de segurança alimentar ou "rede de proteção social" destacamos: “As políticas públicas desenvolvidas pelo governo brasileiro têm ajudado a melhorar a distribuição de renda, mas não podem se tornar modelos de assistencialismo e sempre haverá políticas de assistencialismo, porque sempre haverá indivíduos com menos capacidade de inserção no mercado de trabalho. Mas é importante que aqueles que podem se sustentar tenham a oportunidade de vir a sair desse sistema”. A avaliação é de Renato Baumann, diretor da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) no Brasil, organismo ligado às Nações Unidas (ONU). São indispensáveis para auxiliar os cidadãos a conseguirem entrar ou voltar para o mercado de trabalho, mas é necessária capacitação tanto por parte do setor público, como do setor privado, é preciso uma estrutura mais eficiente de informação sobre o mercado: uma ponte entre os indivíduos que buscam os postos de trabalho e as empresas que procuram essa mão-de-obra e incentivo às empresas de menor porte, segundo o Relatório Cepal, OIT (Organização Internacional do Trabalho) e Pnud, que conclui ainda que as políticas sociais são apontadas como uma atitude correta que gera efeitos positivos sobre a distribuição de renda, mas faz os alertas: (1) “Não é recomendável que os beneficiados dependam indefinidamente desses programas." e (2) "É muito mais desejável, social e economicamente, que esses indivíduos encontrem, por meio do trabalho decente, uma porta de saída para a pobreza". O estudo considera trabalho decente: (1) Aquele que oferece melhores remunerações e condições de trabalho; (2) Obedece o limite de horas trabalhadas estabelecido pela Lei, de 44 horas semanais e (3) Não inclui uso de mão-de-obra infantil ou escravo.

Também sobre o tema, o Sociólogo Evilásio Salvador também alerta que "a redução da pobreza pode ocorrer só em estatística e a política social não deve se limitar a transferir renda focalizada e com condicionalidades, sem a perspectiva de emancipação das pessoas da condição de pobreza absoluta, para a inserção no mercado e em uma vida autônoma. Os métodos estatísticos e as referências teóricas não são neutros. Revelam critérios, julgamento de valor e ideologia para legitimar determinado padrão de intervenção do Estado. Essa intervenção ocorre não para a superação da pobreza, mas com medida de produção de assistencialismo. Os indicadores de pobreza precisariam mensurar a evolução da redistribuição de renda, que passa pela desigualdade na estrutura do mercado de trabalho e pela elevada concentração de renda".


Logística de transporte
Sobre a última tentativa de melhorar a logística de transporte no Brasil com as concessões, a matéria "Concessão de rodovias facilitará escoamento de grãos" dizia: "Dos R$ 66,1 bilhões em investimentos destinados à concessão de rodovias no Plano de Investimento em Logística, R$ 19,6 bilhões terão como destino cinco leilões previstos para 2015. Além disso, R$ 31,2 bilhões serão destinados a 11 leilões previstos 2016. Também estão previstos R$ 15,3 bilhões para investimentos em concessões já existentes. Em 2015, serão 2.603 quilômetros (km) de estradas em sete estados. As obras abrangem basicamente duplicação de pistas, construção de faixas e sinalizações. Compõem a malha rodoviária a ser concedida, um trecho de 460 km das BR-476, BR-153, BR-282 e BR-480, entre o Paraná e Santa Catarina. O valor estimado para esse trecho é R$ 4,5 bilhões, investimento que ajudará no escoamento da produção de grãos, aves e suínos pelos portos do Arco Sul", mas não se concretizou.

Também há um grande empreendimento tocado pela iniciativa privada e localizado no rio Tapajós. A Estação de Transbordo de Carga/ETC HBSA Tapajós é um empreendimento da empresa Hidrovias do Brasil - Miritituba S.A. Esse terminal foi projetado com o objetivo de realizar a movimentação e transporte de grandes volumes de grãos e farelo - transportados por caminhões vindos das regiões produtoras do Centro-Oeste, através da rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém) - no rio Amazonas e seus afluentes, Tapajós Tocantins e Madeira. A área escolhida para a implantação do projeto é de aproximadamente 11,5 hectares e prevê localização dentro da Zona Comercial Industrial e Portuária (ZCIP) de Itaituba. Um documento interessante é o Relatório de Impacto Ambiental da Estação de Transbordo de Carga HBSA Tapajós publicado em maio de 2012, que teve em abril de 2013 a concessão pelo Coema da licença para Estação de Transbordo de Cargas. Também no Pará, dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) mostram que, atualmente, o Estado tem destacada participação no que se refere à nova reestruturação logística portuária brasileira. Há expectativa de implantação de, pelo menos, 34 projetos portuários no Pará, sendo nove em Miritituba (distrito do município de Itaituba); cinco em Santarém, três no município de Barcarena e 17 áreas portuárias em Rurópolis, além de outros 21 projetos que estão previstos para a área portuária de Inhangapi. Conheça mais sobre a região na matéria "Tapajós fervilha como corredor de escoamento de grãos, além de produtor de energia elétrica". E ainda para conhecer um pouco mais sobre investimentos públicos e privado na Nova Fronteira ou no chamado Arco Norte, confira a apresentação "Logística da região Norte para o Agronegócio - Estações de Transbordo de Cargas e Terminais Portuários - de Kleber Menezes (Brick).


Hidrovia

Safra
Janeiro 2016: IBGE confirma safra recorde de grãos em 2015 com a produção de 209,5 milhões de toneladas e espera alta de 0,5% para 2016. A estimativa da área a ser colhida é de 57,7 milhões de hectares, com alta de 1,8% frente à área colhida em 2014 (56,7 milhões de hectares). As três principais commodities - arroz, milho e soja - representaram 93,1% da estimativa da produção e responderam por 86,3% da área a ser colhida. Apenas o Estado do Mato Grosso foi responsável por 25% da produção brasileira de grãos. "Mato Grosso liderou como maior produtor nacional de grãos, com uma participação de 24,9%, seguido pelo Paraná (18,0%) e Rio Grande do Sul (15,2%), que somados representaram 58,1% do total nacional previsto", divulgou o IBGE. Conforme o Instituto, a safra nacional de grãos deve crescer 0,5% e chegar a 210,7 milhões de toneladas em 2016. A produção de soja deve chegar a 102,7 milhões de toneladas, superando a safra de 2015 em 5,9%. Esta alta na produção é resultado da valorização da soja no mercado interno. Líder na produção do grão, Mato Grosso reservou 9,2 milhões de hectares para cultivo de soja, com rendimento médio em 3.106 kg/ha. A produção mato-grossense deve ficar em torno de 28,5 milhões de toneladas, 2,5% maior que a de 2015. Já a CONAB estima a safra brasileira de grãos 2015/16 em 210,5 milhões de toneladas. Em dezembro, o órgão havia estimado safra de 211 milhões. Soja Com a forte seca que ocorreu no Estado no mês passado, a Conab diminuiu em 1 milhão a produção de soja de Mato Grosso. Agora são 28,3 milhões de toneladas. A estimativa para o país indica 102,1 milhões de toneladas.

Exportações do agronegócio caem em 2015 e ficam em US$ 88,2 bilhões. A balança comercial do agronegócio encerrou 2015 com US$ 88,2 bilhões em exportações. O montante caiu 8,8% em relação aos US$ 96,7 bilhões exportados no ano passado. A redução deve-se à queda dos preços das principais commodities (produtos básicos com cotação internacional) agrícolas vendidas pelo Brasil, tais como soja e carne. Apesar da queda no valor exportado, a participação dos produtos do agronegócio na balança brasileira, de 46,2%, foi a maior registrada pelo Ministério da Agricultura. Em 2014, a participação agrícola na pauta de exportações havia ficado em 43%. A balança comercial agrícola encerrou o ano passado com superávit (exportações maiores que importações) de US$ 75,1 bilhões, 6,24% inferior aos US$ 80,1 bilhões registrados em 2014. Do lado das importações, o agronegócio adquiriu US$ 13 bilhões em produtos no exterior, o que representou queda de 21,3% em relação aos U$ 16,6 bilhões em compras externas em 2014.

Café: Brasil perde espaço nas exportações de café torrado. As exportações de café verde vão bem e voltam a atingir 33 milhões de sacas, mas as de produto processado desabam. A agregação de valor, tão buscada por parte do setor, fica cada vez mais distante, informa Mauro Zafalon. As exportações de café torrado caíram para US$ 10,1 milhões no ano passado, 72% menos do que em 2008. Naquele ano, o país acreditava que estava acertando o caminho do mercado externo, com constante crescimento no setor. O cenário mudou. E, além de forte redução nas exportações, as importações de café torrado dispararam. No ano passado, o Brasil gastou US$ 67 milhões com as importações desse produto, 40% mais do que em 2014. As importações de máquinas para o preparo de café somaram US$ 92,4 milhões em 2015, 22% mais que em igual período do ano anterior. Já as exportações dessas máquinas, apesar do câmbio favorável, recuaram para US$ 159 mil, queda de 84%. Com relação às importações brasileiras, a Suíça se mantém líder, ao exportar US$ 35,9 milhões. O valor representa 54% do gasto brasileiro com as importações. Nesta direção, pesquisa realizada anualmente pela Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) indica que o mercado de cafés especiais deve triplicar até 2019 no Brasil e a maioria das vendas em 2015-2019 ainda será gerada pelo produto em grãos e pelo café moído, porém, com maior atenção aos gourmetizados e aos especiais de qualidade que são vistos como sinais de status. No entanto, as cápsulas, que são uma categoria em forte ascensão, terão as maiores taxas de crescimento global. Lançamentos inovadores em sabores e preços serão drivers da categoria, segundo a pesquisa. Entre 2014 e 2019, o mercado brasileiro de café deverá crescer 7,7%, devido a ascensão das cápsulas, e gerar uma receita de R$ 20 bilhões.

"Horizonte das máquinas" é a reportagem de Mauro Zafalon que analisa a necessidade investimentos em práticas que levem a eficiência no campo e como o setor faz o planejamento de longo prazo. O cenário do agronegócio no Brasil será complicado em 2016, mas ainda muito melhor do que o de setores como a indústria, a construção civil e tantos mais. Em outra matéria, "Caminho sem volta", o milho, antes "patinho feio" destinado ao mercado interno, se consolida como produto importante nas exportações do país. O Brasil exportou o recorde de 29 milhões de toneladas de milho no ano passado. Há dez anos, apenas 1 milhão de toneladas, conforme os dados divulgados no dia 07/01/2016 pelo Ministério do Desenvolvimento. Estimativas indicam que o país poderá produzir acima de 100 milhões de toneladas de milho nos próximos anos. Consolidação de mercados externos e regularidade nas exportações farão o país encostar nos Estados Unidos, que exportam 45 milhões de toneladas. Confira como aconteceu esta mudança.


Secagem e armazenamento

Resgatando a história
Parte das ilustrações e informações utilizadas em aulas tiveram como fontes informações dos próprio Governo Federal que reconhece as necessidades de infra estrutura de transporte e que estas limitações tiram competitividade não somente do agronegócio e sim, de todas as cadeias de produção, uma vez que a agropecuária sob análise da demanda insumo-produto é a que apresenta a maior geração de emprego, pois consume insumos de todos os setores econômicos. São exemplos destes documentos oficiais:
ANTT - Relatório 2010; Cenário para a logística de transporte no Brasil - 2011; Cenário atual do armazenamento no Brasil - 2014; Programa de Investimentos em Logística: Rodovias e Ferrovias


20/03/2013: Crise no porto afeta exportação de soja, atraso de navios é motivo para cancelamento de contratos por compradores, que querem aproveitar queda de preço e maior negociador chinês fala em desistir de compra de 2 milhões de toneladas, equivalente a 5% de todas as exportações desta safra. e no gargalo do agronegócio, ir a pé ao porto é mais rápido que de caminhão. A cadência dos caminhões que transportam soja para exportação pelo porto de Santos é de 1,6 km/h, mais lenta do que a velocidade média de um homem adulto. A situação transformou a rodovia Cônego Domenico Rangoni num grande armazém sobre rodas de soja e milho. Para acessar terminais como o TEG (Terminal de Exportação do Guarujá), os caminhões têm de cruzar a estreita e esburacada rua do Adubo, única passagem e um dos retratos do gargalo logístico do agronegócio nacional.




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