[Pod Irrigar] Desafios da agricultura irrigada

"Existe uma diferença entre sistemas complexos e complicados. A Complexidade se manifesta a partir da maior capacidade de interagir com o ambiente na qual está situada. São sistemas adaptativos e assim lidam bem melhor com a diversidade, a incerteza e as mudanças: produzem diferença. Pelo contrário, as complicações só produzem repetição, dada a sua pouca flexibilidade." Texto-Base de Júlio Torres. citado pro Rosely Cubo em Trabalho e Ócio em 09/11/2016
[Pod Irrigar] Desafios da agricultura irrigada
O Brasil acordou para os efeitos multiplicadores da agricultura irrigada e tem expandido a presença dos equipamentos de irrigação no campo, gerando e distribuindo oportunidades e riquezas, parte delas possibilitadas pelo investimento crescente em sistemas de irrigação, especialmente a partir de 2009. Nossa agricultura irrigada cresceu entre 2000-2009 na média de 122.963 hectares, enquanto que na última década (2006 a 2015) a expansão da agricultura irrigada média foi de 170.085 hectares um salto de 38%, de acordo com a Câmara Setorial de Equipamentos de Irrigação - CSEI - ABIMAQ, que apontou o ano de 2013 como o melhor ano da história da indústria da irrigação, com a incorporação de 271.786 novos hectares irrigados. Já os anos de 2014 e 2015, a crise hídrica pegou o setor em cheio o crescimento da área irrigada anualmente experimentou um declínio se considerado o desempenho dos anos anteriores e 2016 está se encerrando com restrição de crédito, dificuldades regionais em relação à obtenção da Outorga e baixa disponibilidade de água especialmente na bacia hidrográfica do rio São Francisco e no Espírito Santo.

Durante a crise hídrica verificou-se que os fabricantes de sistemas de irrigação localizados, como a microaspersão e o gotejamento souberam divulgar as vantagens relativas destes sistemas, caracterizada pela alta frequência de irrigação, a baixa vazão e a baixa pressão em um movimento muito semelhante ao verificado na California.

Neste período de crise outro fato a destacar foi o estudo encomendado pela SENIR - Secretaria Nacional de Irrigação, em que eleva o nosso potencial de área irrigada de 30 para 61 milhões de hectares, identificando as áreas potenciais. Também, o estudo da ANA/EMBRAPA identificou os principais polos de irrigação por pivô central no Brasil e neste contexto há de se alertar para os desafios a serem enfrentados pelos stakeholders da agricultura irrigada, ou seja, os - Técnicos que trabalham dependente da água para garantir a funções econômica e social de produzir alimentos.

Enquanto que em regiões como por exemplo, a Bacia do Rio São Marcos em Goiás, ou a região Sudoeste do Estado de São Paulo, o desafio é usar cada vez melhor a água disponível, aumentando indicadores como a produtividade da água, que permite diferenciar problemas de gestão agronômica das ligadas à gestão da água, incluindo a compatibilização do uso múltiplo, outros regiões como o oeste do Estado de São Paulo, ou mesmo o Mato Grosso do Sul, o desafio é convencer os produtores de alimentos a investirem em sistemas de irrigação, sem o prejuízo da necessidade de usar de forma eficiente os recursos hídricos.

Assim, nos dois casos, uma expansão sustentável da área irrigada se dará alicerçada em Técnicos competentes que conheçam e integram conhecimentos em solos, agrometeorologia, engenharia de irrigação, recursos hídricos, economia e naturalmente, fitotecnia, sendo este um dos grandes desafios atuais, formar Técnicos com visão holística da produção de alimentos e da preservação e uso dos nossos recursos naturais.

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