86 dias sem chuvas e sistemas de irrigação garantem a sustentabilidade do negócio de se produzir alimentos

86 dias em chuvas em média no Noroeste Paulista resulta nesta paisagem. Investimentos e, sistemas de irrigação é pura necessidade.

Chuva e temperatura amena no Noroeste Paulista novamente
Em média foram 86 dias sem chuvas no Noroeste Paulista este ano encerrando um ciclo ou a contagem iniciada em maio e finalizado com a volta das chuvas em 13 de agosto de 2017. As pastagens secas deverão dar lugar ao verde e os riscos de incêndios diminuir consideravelmente. O período se longos dias sem chuva é conhecido da região que apresenta ainda as maiores taxas de evapotranspiração do Estado de São Paulo, mas muitas vezes esquecemos que há déficit hídrico em todos os anos, mudando apenas a intensidade e os meses em que ele ocorre.
De acordo com os registros da Rede Agrometeorológica do Noroeste paulista operada pela Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira em 2016, em média foram 76 dias sem chuvas maiores que 10 milímetros e o ciclo de seca começou em junho, em 2015 com início em julho foram 54 dias, já em 2014 foram 60 dias iniciando em maio, em 2013 teve inicio em junho o ciclo de 78 dias sem chuvas, em 2012 também com início em junho registramos 90 dias sem chuvas e em 2011 foram 84 dias sem chuvas com início em agosto. Mas em 2010 foram 159 dias sem chuvas em média no Noroeste Paulista e em Marinópolis, o recorde de 177 sem chuvas, com o período de seca iniciando em abril.  

Uma consulta ao Canal CLIMA da UNESP onde são divulgados os registros feitos pelo monitoramento climático do Noroeste Paulista mostra que as chuvas voltaram de forma muito irregular, com um volume variando entre 10,9 mm em Populina e 64 mm em Itapura e ainda, na região na Nova Paulista, a Estação Dracena registrou 114 mm, com 59 mm somente ontem. Na média o Noroeste Paulista registra 40 mm de chuva em agosto, acima dos 18 milímetros esperado historicamente e menos que os 78 milímetros médios registrados em 2016, quando a região teve o seu agosto mais chuvoso da história, chegando a 140 mm em Ilha Solteira.


Com tanta chuva quem consulta o Canal CLIMA da UNESP Ilha Solteira observa que sobre Populina está a informação de 91 dias sem chuvas gerando dúvidas nos Internautas que muitas vezes entram em contato com a Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira. Decorre que mesmo Populina registrando 10,9 mm, este volume não aconteceu em apenas um dia e assim a contagem não foi reiniciada e o próprio Canal explica que o "placar" disponibilizado tem como base a agricultura e neste caso, é considerado dia de chuva quando chove 10 mm ou mais em um mesmo dia e assim, todos os demais municípios no Noroeste Paulista zeraram a contagem, menos Populina, que sente a falta das chuvas. 


Sobre o armazenamento de água no solo, os Argisolos predominam na região Noroeste Paulista e conseguem armazenar em torno de 1,0 mm por centímetro do solo, e assim, de maneira geral, ajudado pelas chuvas de baixa intensidade e ao longo de vários dias, da queda da temperatura e das taxas de evapotranspiração, de maneira geral houve um excelente recomposição do armazenamento da água do solo e fará com que que os sistemas de irrigação permaneçam desligados por um bom número de dias, enquanto que as pastagens voltarão a brotar uma vez que a radiação global que incide sobre a região já passa dos 15 MJ/m.dia. 

A evapotranspiração é a perda ou a transferência de água para a atmosfera feita pela transpiração das folhas e evaporação do solo e que, para máxima produtividade, deve ser reposta pela chuva ou pelos sistemas de irrigação. Com déficit hídrico conhecido até o dia 12 agostos os sistemas de irrigação estavam trabalhando a plena carga e esta semana que passou ficaram parados e devem permanecerem desligados nesta semana que começa hoje. Usamos os pivôs centrais para a produção de grãos em geral, pastagem e também citros. Já as videiras e as plantações de banana, são irrigadas pela aspersão convencional, gotejamento e microaspersão e as pastagens em áreas menores contam com a aspersão convencional. 
A evapotranspiração de referência média no Noroeste Paulista até 12 de agosto de 2017 estava em 3,7 mm/dia e após o início das chuvas ficou em 2,5 mm/dia e em agosto, a média está em 3,3 mm/dia.


FIIB - Feira Internacional de Irrigação Brasil 2017
Ainda repercutindo sobre a FIIB 2017 trazemos aqui duas entrevistas que concedemos. No programa Agrofrutas e Cia na reportagem de Marcelo Espíndola falamos sobre o manejo da irrigação e quais as ferramentas para o controle da água para a máxima eficiência. Confira também as recomendações e expertise de Denizart Pirotello Vidigal e Suemi Koshiyama, sobre as tendências e produção de frutas. E ainda, Ivo Bonassi Júniort conta a sua experiência com a irrigação de mandioca. 






Produção de Alimentos para todos
Em 16 de outubro 2013 no município de Luiz Eduardo Magalhães no encerramento do XXIII CONIRD - Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem fomos encarregados de fazer o resumo dos seis dias de Congresso e durante toda a nossa explanação insistimos na importância da informação e da utilização de todas as formas possíveis de comunicação para o setor. Citamos a revista Irrigazine como iniciativa neste sentido e também utilizando o trabalho realizado pela Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira dissemos que “A comunicação com diferentes linguagens deve ser priorizada como forma de democratização do setor. O conhecimento e as informações são fundamentais para que se possa ter a exata compreensão por todos os seguimentos da sociedade da importância da agricultura irrigada, seus efeitos multiplicadores, ao mesmo tempo em que possibilita o uso de novas técnicas e tecnologias”. Mas a frase que mais impacto e repercussão teve foi quando dissemos que o "Irrigante não é bandido, mas mocinho" e que se tornou capa da edição 34 (dezembro, 2013) revista Irrigazine, principal revista do setor de irrigação.


Esta semana, fomos surpreendidos positivamente com o artigo de "Fazendeiro não é bandido!" assinado por Evandro Pelarin Juiz de Direito da Vara da Infância e Juventude de São José do Rio Preto e publicado no Diário da Região de São José do Rio Preto em 11 de agosto de 2017. Difícil destacar apenas um parágrafo, que começa assim "Setores da burocracia estatal e da grande imprensa, influenciados, em grande parte, por agências de governos e ONGs internacionais, tratam os produtores rurais brasileiros como criminosos. Para eles, fazendeiros, sitiantes e arrendatários usam as terras para praticar o mal, destruindo o meio ambiente ou usurpando florestas que seriam patrimônio do mundo, não do Brasil..." e continua assim "Nos últimos 25 anos, a produção agrícola e pecuária brasileira se multiplicou, utilizando, para isso, míseros dez por cento a mais de terra virgem. Ou seja, o setor agrícola foi o que mais avançou em produtividade e tecnologia, com pouco avanço sobre novas áreas rurais. Todavia, quanto mais o empresário rural investe em tecnologia e produtividade, mais põe a sua propriedade em risco, já que aumentam as exigências. Torna-se, assim, uma categoria vítima de sua própria eficiência..." Vale conferir o artigo inteiro! Ótima análise! Parabéns pela sensatez e objetividade!

Água para todos
O Rio São Francisco, outrora símbolo da riqueza e abundância e sempre lembrado como o rio da Integração Nacional agoniza. Com vazão reduzida e sem as medidas mitigadoras previstas no projeto da Transposição iniciadas ou efetivadas coloca toda a bacia hidrográfica em uma grande incerteza, especialmente para os que labutam na agricultura irrigada e assim, a sociedade civil e entidades se mobilizam para que autoridades efetivem ações que possam recompor a oferta de água, como a campanha ilustrada abaixo.


Comportamento - Você quem são as pessoas que formam a Geração "Z" e "Y"?

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