Recursos hídricos e agricultura irrigada


Pod Irrigar: Ainda sobre a maior crise por água do noroeste paulista
Depois do janeiro mais quente de toda a história do noroeste paulista e ainda com o menor volume de chuvas caindo, a maior crise por água enfrentada segue produzindo restrições, perdas e mexendo com toda a sociedade.
Um Engenheiro Agrônomo e agricultor que depois de amargar quatro frustrações de safra por seca ou veranico no período chuvoso, finalmente entendeu que precisava investir em sistemas de irrigação. Juntou suas economias, vendeu sua casa, fez empréstimos e adquiriu uma propriedade às margens do rio Tietê, onde pensava ser perfeito para iniciar a sua nova fase, agora como irrigante, pois estaria com o seguro contra a falta de chuvas e teria oferta abundante de água para abastecer seu sistema de irrigação, no caso, um pivô central. É triste dizer, mas ele se enganou!
Com 92 hectares de feijão sob seu pivô, ontem ele me escreveu assim: "Bom dia Doutor! Tem alguma novidade? Tenho quatro dias de água e vou arriscar mais oito canos adentro. Vou ter que parar? Cancelei a compra da semente de milho e os adubos que seria para o próximo plantio. Tenho um monte de financiamentos a vencer e dependo de colheitas. Direcionei minha vida a isso... eu precisava de apoio... passe isso aos poderes a seu alcance e muito obrigado."
O que ele está dizendo é que o rio Tietê tem abaixado o seu nível em média 4 centímetros por dia, estava na sexta-feira na cota 321,98 metros e o lago da Usina de Três Irmãos está com -17,91% do seu volume e ele já mudou seu ponto de captação de água em mais de 300 metros, fazendo gastos não previstos, opera com restrições e agora, quando fala que vai arriscar mais 48 metros, ele está morrendo de medo que a sua bomba cavite, ou seja, pare de funcionar! Isso acontece por uma questão técnica, uma bomba para funcionar deve ter um NPSH disponível (condição local) superior ao NPHS exigido pela bomba (característica de fabricação) e com o aumento da diferença de nível da água e o eixo da bomba, a condição local fica desfavorecida.

Rio Tietê em imagem Landsat 8 em 23 de julho de 2014 com pivôs centrais que tem seu funcionamento paralisado ou prejudicado pelo abaixamento do nível do reservatório de Três Irmãos.

Infelizmente, este irrigante não está só! Ao contrário da última crise de água, o chamado apagão de 2001, também ocorrido pela falta de chuvas, este ano, a ONS não está preservando o reservatório de Ilha Solteira e optou por continuar a gerar energia (vazão afluente menor que a vazão defluente) e assim, por aqui, no noroeste paulista quem mais sentiu o peso desta decisão foram os profissional envolvidos com a navegação, que está paralisada, seguido pelos irrigantes.
Estimamos em ao menos 4400 hectares a área irrigada por 51 sistemas pivô central que se encontram às margens dos lagos das Usinas de Ilha Solteira e Três Irmãos que paralisaram suas operações ou que operam com restrições que afetarão a produtividade final.

Rio Paraná em imagem Landsat 8 em 23 de julho de 2014 com a cidade de Santa Fé do Sul que faz o racionamento de água no período da tarde. A microbacia do córrego Cabeceira Cumprida está ao norte da cidade e faz o suprimento de água.

A situação é cada vez mais crítica, solução imediata não existe, a não ser que chova e muito, estancar o abaixamento dos lagos é possível com a geração de energia por outras usinas, mas estrategicamente deve ser feita a conta de quem perde mais, quem deixa de gerar energia, ou quem fica sem produzir alimentos ou transporta pelas hidrovias? Estes, irrigantes e profissionais de logística serão recompensados pelo Governo Federal de que modo? Ou diferente do setor energético que já recebeu ajuda de bilhões, ficarão literalmente a "ver navios"?
Está na hora dos irrigantes também se unirem, irem para a mesa e também fazerem as suas reivindicações! A agricultura tem historicamente sustentado nossa economia, até quando se sacrificará? E logo a irrigada, que deve ser o seguro contra a seca? Este foi o tema do Pod Irrigar - o Pod Cast da Agricultura Irrigada desta semana. Ouça também os anteriores.

Ainda a crise por água

Por aqui no noroeste paulista, onde a água dos grandes reservatórios é utilizada para a ageração de energia e irrigação (são 17 mil hectares apenas de pivôs centrais) e mais de 4400 hectares estão tendo dificuldades de produção. Seria interessante se o pessoal da área econômica começasse a calcular a perda de receita pela paralisação da irrigação e ainda os gastos adicionais necessários para dar uma sobre-vida aos sistemas de irrigação, captando água mais longe.
O seguro que deveria ser contra a escassez de água quem vem do céu, paradoxalmente, não é a segurança na terra, pois os reservatórios estão com cada vez menos água. A água tem sido sido utilizada para gerar energia no noroeste paulista, mas no Vale do Paraíba, o secretário de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, Mauro Arce, afirmou ontem que a água do reservatório Jaguari só será enviada ao rio Paraíba do Sul se for para consumo humano e defendeu a decisão, dizendo que a Cesp atende à prioridade ao abastecimento humano quanto ao uso da água, estabelecida em lei. A água que vai para o Paraíba do Sul é usada por usinas, indústrias, setor agrícola e para abastecer cerca de 15 milhões de pessoas em Minas, São Paulo e no Rio de Janeiro





Sistemas de irrigação e condições do tempo
A Fotógrafa Ana Druzian fez um lindo registro do uso da água no noroeste paulista em julho de 2014: pivô central produzindo feijão em Sud Mennucci

Depois das chuvas de julho e evapotranspiração média menor que 3 mm/dia na região, já temos até 16 dias sem chuvas e os sistemas de irrigação, quando possível tecnicamente, voltam a irrigar, só que com maiores taxas de evapotranspiração, como se vê no gráfico abaixo. E a UNESP Ilha Solteira mantem o sistema de estimativa da evapotranspiração e a sua divulgação com o objetivo de estabelecer as condições para que o irrigante faça o uso eficiente da água. 


Por outro lado, a população começa a sentir o efeito das baixas umidades relativas do ar, que menores de 30%, já configuram o estado de atenção. O Canal CLIMA da UNESP Ilha Solteira disponibiliza de forma livre e gratuita as informações climáticas com atualização a cada cinco minutos a partir de http://clima.feis.unesp.br

ESALQ-USP tem mais um Livre Docente
O Engenheiro Agrônomo Fábio Ricardo Marin desde 7 de agosto de 2014 é o mais novo professor Associado da ESALQ-USP após defender a Tese "Eficiência de produção de cana-de-açúcar brasileira: estado atual e cenários futuros baseados em simulações multimodelos".


Primeiro almoço juntos!

Tive a satisfação de participar da Banca do Concurso de Fábio Marin e esta semana junto com Angelocci, Bernardo Barbosa, Marcos Folegatti e Vital Paz pudemos ter nova alegria ao ver o seu desempenho e o seu conhecimento técnico-científico. Certamente a ESALQ-USP tem a sua disposição um excelente profissional. Nas fotos a seguir, alguns momento do concurso! Parabéns Fábio e desejamos ainda mais sucesso!

Prova didática.

Arguição do memorial.

Sorteio do ponto da prova escrita.

Será que Fábio se preparou?


É hora de Fábio encarar o Luiz de Queiroz e escutar a leitura da Ata do Concurso.

Olhando para o Luiz de Queiroz e escutando a leitura da Ata do Concurso. Em alguns minutos será Professor Associado!

Pronto, agora recebendo os parabéns da Vice-Diretora!

Safra - Produção agrícola

Unica diverge de Conab e prevê dificuldades para a nova safra de cana: A quantidade de cana do centro-sul do Brasil disponível para moagem na temporada 2015/16 (abril/março) provavelmente será bastante semelhante ao total processado na fraca temporada atual (2014/15), demonstrando contínuos problemas do setor, disse o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), ressaltando ainda que os números do governo superestimam os volumes da colheita em desenvolvimento. Segundo ele, ainda há muitas variáveis que determinarão a moagem da próxima safra, após a severa seca deste ano ter afetado a produção de cana. As previsões da Unica indicam uma redução de 40 milhões a 50 milhões de toneladas no processamento em 14/15, para cerca de 550 milhões de toneladas, ante o recorde da safra passada. E não se pode esperar mudanças expressivas na safra para 2015/16, assim como grandes crescimentos nos próximos anos, até porque boa parte do setor está em dificuldades financeiras que afetam a capacidade de investimento.

Carreira - Emprego - Economia


Política
Eliane Cantanhêde escreve "Gotejando", que começa assim: "Depois de o Planalto enviar um funcionário a um seminário de internet em Cuba, tudo é possível. Cuba é o último lugar do mundo para fazer curso de internet... a não ser de guerrilha digital. Por essas e outras, é irritante, mas não surpreendente, a informação da Folha e do "Globo" de que a rede do Planalto é usada para adocicar perfis de aliados, azedar dos adversários e plantar calúnias contra jornalistas críticos. A operação, além de indecente e possivelmente criminosa, é também de uma burrice gritante..." e termina assim "... A confusão entre público e privado corresponde às boquinhas e ao aparelhamento de Petrobras, Eletrobras, Banco do Brasil. Em nome de "uma causa" - a dos poderosos e da elite de plantão. Os outros? Os outros são "contra os pobres". Se cabeças rolaram no Santander por avaliações de mercado, o que ocorrerá no Planalto por ações que nada têm a ver com o interesse público, o Estado e a nação?" E Fernando Rodrigues escreve "Estado aparelhado" em também analisa a situação em que a liberdade de imprensa não é valor promovido dentro da administração petista.


O agronegócio na pauta da sucessão presidencial. Setor mais competitivo da economia nacional, o agronegócio representa hoje 20% do PIB. Sem ele, a balança comercial brasileira sofreria um baque: 41% das exportações vêm do campo, cuja expansão dependerá fortemente da produtividade nos próximos anos. Infraestrutura, conflitos no campo, meio ambiente e comércio exterior foram os temas apresentados pelos três principais candidatos a presidência nos encontros da ABAG e da CNA , esta semana. Cada candidato apresentou suas proposta e defendeu sua linha de atuação foram enfáticos na questão da logística e ampliação de mercados, mas... o produtor ainda observa e aguarda uma administração que realmente coloque o agronegócio na prioridade administrativa. O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins da Silva Júnior, disse última quarta-feira (6/8) que a agenda de prioridades do agronegócio brasileiro chegou ao topo das questões nacionais. Ele discursou na abertura do encontro promovido pela entidade com os principais candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano.

Entretenimento

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