Editorial Diário da Região: Duas opções para a hidrovia

A hidrovia Tietê-Paraná, que atravessa a maior parte do território do Estado de São Paulo, ladeando inclusive a região Noroeste, é um grande exemplo de desperdício de recursos. Ela possui um grande potencial de desenvolvimento econômico e social, mas dela pouco se extrai em benefício do povo paulista.

Agora, um plano de investimentos conjuntos, reunindo os governos estadual e federal, promete destinar R$ 1 bilhão para sua modernização e ampliação e traz uma nova esperança de que a hidrovia finalmente vai dar certo. A Tietê-Paraná iniciou sua operação comercial em 1973, com a inauguração da eclusa de Barra Bonita. Depois vieram as eclusas de Bariri, Ibitinga e Promissão. Em 1991, com o alagamento da barragem de Três Irmãos e a inauguração das eclusas de Nova Avanhandava e do canal de Pereira Barreto, iniciou-se o transporte de longo curso.

Em 2000, novas obras permitiram a conexão hidroviária até as cercanias da barragem de Itaipu. A médio prazo, está prevista a construção de uma eclusa neste último local, o que dará acesso ao Uruguai e Argentina.

A localização geográfica privilegiada confere à Tietê-Paraná grandes oportunidades de geração de renda e desenvolvimento regional em pelo menos duas importantes vertentes. Primeiramente, do ponto de vista logístico. Depois, em relação ao turismo. Mas as águas do sistema também reservam outras riquezas, como a geração de energia, a piscicultura e o estímulo ao desenvolvimento da indústria náutica.

A hidrovia é utilizada, atualmente, para o transporte de grãos, combustíveis e outros bens. Em 2010, passaram por suas águas 5,7 bilhões de toneladas de milho, soja, óleo, madeira, carvão e adubo. Em breve, vai se transformar em uma espécie de “aqueduto” de etanol. Mas são notórios os problemas de navegação, causando acidentes com pilares de pontes, encalhes de barcaças e outras dificuldades.

O plano de obras, necessário para transformar o grande potencial logístico da Tietê-Paraná em realidade, prevê uma série de alterações em todo o trecho paulista da hidrovia, inclusive na região de Rio Preto. Os acertos foram costurados, mas agora falta o aval da presidente Dilma Rousseff para que a parceria saia do papel. Se isso acontecer, o País ganhará uma importante via de escoamento e um impulso econômico. Caso contrário, ajudará a estufar as gavetas do atraso econômico e social. O Brasil torce para que Dilma escolha a primeira opção.


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